Entrevista

Ricardo relembra eleições de 2010 para afirmar que será candidato ao Senado: "Enquanto houver recurso, o direto está garantido"

Em entrevista ao Arapuan Verdade, da Rádio Arapuan, nesta quarta-feira (24), o ex-governador Ricardo Coutinho (PT) reafirmou que será candidato ao Senado nas eleições deste ano, mesmo estando inelegível a preço de hoje, falou sobre as investigações da Operação Calvário e sobre as eleições estaduais deste ano.

Ricardo novamente voltou a dizer que juridicamente tem direito de disputar as eleições deste ano, mesmo estando inelegível. O ex-governador tenta no Supremo Tribunal Federal (STF) o direito de disputar o pleito e chegou a dizer que não tem uma “data limite” até que se esgotem todos os recursos envolvendo o seu caso. Ele comparou a sua situação com a do ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB) nas eleições de 2010.

“Se eu não acreditasse que seria candidato, jamais faria isso”, disse, se referindo aos seus atos de campanha.

“Cássio teve data limite? Enquanto houver recurso, o direito está garantido. Sou candidato e vou vencer as eleições”, previu em outro momento da entrevista.

Ricardo falou também que a decisão judicial proferida pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) que cortou o seu direito de utilizar os recursos de Fundo Partidário para sua campanha é “um absurdo”, que ela “tem que cair” e que “não perco meu tempo com isso”.

Calvário

Coutinho revelou que ainda não foi chamando para prestar sua defesa nos mais de 10 processos que correm contra si envolvendo as investigações no âmbito da Operação Calvário. “Eu não fui ouvindo e estou ganhando todas. A imprensa não noticia isso”, falou.

O ex-governador se diz perseguido pelo sistema jurídico e afirmou que nenhuma prova de seus crimes cometidos foi apresentada nas investigações.

“Seria tão importante que três anos depois se colocasse uma única prova sobre a mesa. Não tem. Você já percebeu que não se coloca um superfaturamento? Não existe. Não se coloca um desvio”, comentou. “Justiça tem que ter prova”, emendou em seguida.

Eleições estaduais

Ao ser perguntado sobre o pedido de proibição protocolado pela coligação composta pelo MDB e a federação PT/PCdoB/PV para que o governador João Azevêdo (PSB) não use a imagem do ex-presidente Lula (PT) em sua campanha, Ricardo afirmou que o PSB está sendo incoerente quanto ao uso à imagem de Lula, pois em Pernambuco, o partido entrou com o mesmo pedido para que a candidata a governadora Marília Arraes (SD) não utilize a imagem do ex-presidente na sua campanha mas na Paraíba quer usá-la.

Além disso, criticou a justiça eleitoral pelo fato de em Pernambuco o pedido ser aceito e na Paraíba não.

“Você tem um gap, um vazio das duas justiças eleitorais. Como é que se proíbe em Pernambuco e na Paraíba não? Nós temos duas repúblicas distintas ou só temos só uma lei?”, questionou.

Ricardo avaliou ainda que essa “batalha” do PSB e de João Azevêdo pela imagem de Lula é apenas para “pegar carona” e não pelo desejo de sucesso no projeto do petista.

Críticas a Bolsonaro

Coutinho também fez críticas à gestão do presidente Jair Bolsonaro (PL), a exemplo da condução da pandemia. Perguntado como votaria no pacote de benefícios que o presidente sancionou em ano eleitoral, a exemplo do incremento do valor do Auxílio Brasil, e que é visto como muitos políticos como uma medida eleitoreira, Ricardo também caminhou nessa tese de que os aumentos foram visando votos nas urnas, mas disse que se fosse Senador, votaria favorável à proposta.

“O PT não votou contra. Se for R$ 10 a mais para qualquer seguimento que precise, o PT vota favorável. Agora é indiscutível que é um escândalo”, disse.

Fonte: Polêmica Paraíba
Créditos: Polêmica Paraíba