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MUDANÇAS NAS PREFEITURAS: Saiba quem são os Prefeitos eleitos em 2020 que tiveram os mandatos interrompidos

As eleições municipais de 6 de outubro irão parar às 223 cidades do estado, com disputas que tem tudo para se tornarem históricas do litoral ao sertão.

Arte: Marcelo Jr
Arte: Marcelo Jr

As eleições municipais de 6 de outubro irão parar às 223 cidades do estado, com disputas que tem tudo para se tornarem históricas do litoral ao sertão.

Para demonstrar a força que os gestores municipais representam perante o eleitorado paraibano, podemos pegar o exemplo do pleito de 2022. João Azevêdo e Efraim Filho tiveram um apoio maciço da maioria dos Prefeitos, o que foi crucial para suas respectivas vitórias, sendo que no caso de João, o Governador conseguiu se reeleger mesmo sem ser o vencedor em Campina Grande e João Pessoa.

Mas nem todos aqueles que se elegeram em 2020, poderão concluir os 4 anos no poder. Alguns foram afastados judicialmente, outros se tornaram Deputados Estaduais e cinco Prefeitos infelizmente faleceram durante o exercício do mandato.

Nessa matéria vamos analisar detalhadamente esses casos e relembrar os motivos que ocasionaram essas mudanças nas Prefeituras.

Afastados Judicialmente

Três Prefeitos tiveram problemas com a Justiça, sendo que em dois desses casos, os gestores nem conseguiram tomar posse, no dia 1 de janeiro de 2021.

Evandro Araújo – Gado Bravo: Evandro Araújo é um nome importante da política de Gado Bravo. Vereador por três mandatos, Araújo foi Prefeito entre 2009 e 2017, retornando as disputas em 2020, vencendo o então Prefeito Doutor Paulo com mais de 10% dos votos de vantagem.

Mas o ex-Prefeito nem conseguiu tomar posse, pois a sua candidatura estava sob judice no TRE. Quem assumiu foi o Presidente da Câmara Marcelo Jorge, que depois virou Prefeito de forma permanente ao vencer a eleição suplementar de setembro de 2021.

Sandro Môco – Camalaú: Alecsando Bezerra dos Santos, mais conhecido por Sandro Môco, foi Vereador e Vice-Prefeito na chapa encabeçada por Jacinto, eleita em 2012. Sandro foi eleito Prefeito na primeira vez em 2016, vencendo o ex-prefeito Aristeu Chaves.

O Prefeito foi afastado do cargo em agosto de 2020 envolto em uma acusação que apurou fraudes na locação de veículos do município. Mesmo afastado da Prefeitura, Sandro concorreu e foi reeleito ampliando a vantagem sobre o mesmo Aristeu.

Em Janeiro de 2021 o Prefeito foi diplomado, mas foi impedido de tomar posse, pois continuava afastado pelo TJPB. Quem ficou no comando da Prefeitura, foi o Vice Bira Mariano, que até hoje administra cidade.

Paulo Oliveira – Massaranduba: Paulo Francinetti de Oliveira foi Prefeito de Massaranduba em três ocasiões. Eleito pela primeira vez em 2008, Paulo não conseguiu se reeleger no pleito seguinte, mas retornou a Prefeitura após vencer a então Prefeita Joana Darc em 2016.

Reeleito em 2020, o Prefeito foi cassado em 2023 acusado por suposta compra de votos, onde de acordo com a acusação, teria distribuído dinheiro para que eleitores de Serra Redonda transferissem seus títulos para Massaranduba.

O Presidente da Câmara Chicão assumiu o cargo, mas acabou sendo derrotado por João Costa na eleição suplementar de 3 de março de 2024.

Afastado por Problemas de Saúde

Doca Lima – Mato Grosso: Raimundo José de Lima, mais conhecido pelo apelido de Doca Lima, foi Vereador por um mandato e Vice-Prefeito na chapa encabeçada por Kaká em 2008.

Tentou ser Prefeito pela primeira vez em 2012, sendo derrotado por uma diferença mínima na disputa contra Raellyson. Doca retornou na eleição seguinte em grande estilo, vencendo o pleito com quase 70% dos votos ao derrotar o Vice-Prefeito Valdegizio.

Reeleito em 2020, o Prefeito deixou o cargo em novembro de 2022, após ter um pedido de afastamento por tempo indeterminado acatado pela Câmara Municipal. Quem assumiu a Prefeitura foi a Vice, Gidalva Lima, que deve concorrer a reeleição pelo PSB no pleito deste ano.

Renúncia

Jorginho Almeida – Condado: Jorge Henrique de Almeida, disputou e venceu sua primeira eleição em 2020, sendo apoiado pelo então Prefeito Caio Paixão.

Mas desde a época da campanha, Jorginho enfrentava problemas de saúde, que ocasionaram em sua renúncia com apenas 39 dias no cargo, alegando estar com depressão.

Quem assumiu o cargo foi o Vice, Marcelo Bezerra, sobrinho de Caio Paixão, que deve abrir mão da reeleição para uma possível volta do Tio.

Saíram para disputar uma vaga na Assembleia

Três Prefeitos deixaram os cargos apostando suas fichas em se tornarem Deputados Estaduais e todos conseguiram sair vitoriosos.

Chico Mendes – São José de Piranhas: Vereador entre 1993 e 2004, Chico ficou mais de 10 anos afastado da vida pública, quando foi eleito Prefeito nas eleições de 2016.

Reeleito no pleito de 2020, o Prefeito decidiu renunciar ao cargo em abril de 2022, para disputar uma das vagas na Assembleia, deixando em seu lugar o Vice e primo Bal Lins.

Chico foi o décimo Deputado mais votado em 2022, conseguindo angariar os votos do seu primo, o ex-Deputado Jeová Campos, que não disputou a reeleição.

Doutor Romualdo – Congo: Romualdo Antônio Quirino de Sousa, mais conhecido como Doutor Romualdo, foi Prefeito do Congo entre 2009 e 2017.

Tentou ser Deputado Estadual pela primeira vez em 2018, quando foi bem votado, mas acabou ficando na suplência. Decidiu mais uma vez disputar a Prefeitura do Congo em 2020, derrotando o então Prefeito Júnior Quirino, em uma disputa bastante apertada.

Credenciado pelos bons números em 2018, renunciou a Prefeitura, para mais uma disputa na Assembleia, deixando no cargo a Vice e também sua esposa, Flávia Quirino. Romualdo conseguiu surpreender aqueles que acreditavam que André Gadelha ou Ana Claudia Vital, seriam o segundo nome do MDB na Assembleia ao atingir mais de 24 mil votos, se elegendo ao lado de Anderson Monteiro.

Fábio Ramalho – Lagoa Seca: Fábio Ramalho foi Vereador por dois mandatos até se candidatar a Prefeitura pela primeira vez em 2012, quando foi derrotado por Tadeu Araújo.

Fábio decidiu retornar a disputa no pleito seguinte, derrotando o candidato do Prefeito, Diego do Veleiro com quase 70% dos votos. O Prefeito foi reeleito em 2020, em disputa contra o mesmo Diego, aumentando sua votação ao atingir mais de 83% dos votos.

Esses números expressivos o credenciaram a uma disputa a Assembleia em 2022 e Fábio decidiu renunciar, deixando a Vice, Dalva Lucena, no comando da cidade. Para a surpresa de muitos Ramalho foi o quarto Deputado mais votado do pleito, com quase 49 mil votos.

Falecidos

Cinco Prefeitos faleceram no exercício do mandato, sendo que quatro destes sendo vitimados pela pandemia da Covid-19.

Jorge do Povão – Pitimbu: Jorge Luiz Lima dos Santos, mais conhecido pelo apelido de Jorge do Povão, começou sua vida pública em 2016, quando foi eleito Vice-Prefeito na chapa de Léo Barbalho.

Apoiado pelo Prefeito, Jorge se tornou Prefeito ao atingir mais de 54% dos votos no pleito de 2020. Mas, infelizmente o Prefeito não teve tempo de exercer seu mandato, falecendo com apenas 3 meses no poder, vitimado pela Covid-19 aos 43 anos, no dia 31 de março de 2021.

Manoel Júnior – Pedras de Fogo: Manoel Júnior é um dos principais políticos da história recente da Paraíba.

O médico foi Prefeito de Pedras de Fogo por quatro mandatos, Deputado Estadual e Federal e Vice-Prefeito de João Pessoa em duas ocasiões. Em 2020 Manoel voltou a disputa em Pedras de Fogo, enfrentando o sobrinho do então Prefeito Dedé Romão, e vencendo o pleito pela quarta vez com 52,03% dos votos.

O Prefeito lutava contra um câncer no pâncreas desde 2022, falecendo no dia 28 de fevereiro de 2023, aos 59 anos.

Doutor Lauri – Brejo dos Santos: Lauri Ferreira da Costa, mais conhecido como Doutor Lauri, é o maior político da história de Brejo dos Santos.

Filho de Lavaldino Luiz da Costa (primeiro prefeito de Brejo dos Santos), disputou sua primeira eleição em 1982, se tornando Prefeito ao atingir 1.895 votos. Em 1990, alçou mais votos quando se elegeu Deputado Estadual. Após não conseguir se reeleger, voltou a disputa pela Prefeitura em 96, se reelegendo em 2000.

Em 2008, foi eleito para o quarto mandato como prefeito, sendo derrotado pela primeira vez no pleito de 2012, na disputa contra Luiz Vieira. No pleito seguinte, devolveu a derrota sofrida em 2012, sendo reeleito para um sexto mandato em 2020.

Permaneceu apenas 5 meses no cargo, sendo vitimado pela Covid-19 aos 74 anos, no dia 12 de junho de 2021.

CHaguinha de Edilson – Coremas: Esposa do ex-Prefeito Edilson Pereira de Oliveira, Francisca das Chagas Andrade de Oliveira, mais conhecida pelo apelido de Chaguinha de Edilson, se tornou Prefeita em sua primeira eleição no ano de 2016, derrotando o ex-Prefeito Antônio Lopes.

Reeleita em 2020, em outra disputa apertada contra Lopes, Chaguinha não conseguiu completar 4 meses de segundo mandato, vitimada pela Covid-19, no dia 23 de março de 2021, aos 62 anos.

Gilson Lima – Riacho de Santo Antônio: Gilson Lima foi Vereador por três mandatos entre 2005 e 2016, voltando a cena pública no pleito de 2020.

Em uma chapa formada com o estreante Marcelo Barbosa e apoiada pelo Prefeito Ofila, do qual Gilson foi Secretário de Agricultura, Lima foi eleito em uma disputa apertada contra o Vereador Célio Roberto.

O Prefeito só conseguiu ficar pouco mais de 6 meses no cargo, falecendo em 5 de junho de 2021 aos 46 anos, também vitimado pela Covid-19.

Fonte: Vitor Azevêdo
Créditos: Polêmica Paraíba