Eleições 2026

"Político não é influencer": entenda o papel das redes sociais no cenário eleitoral

Publicitário aponta que redes sociais exigem estratégia própria e não substituem o impacto da presença real e da mídia tradicional.

"Político não é influencer": entenda o papel das redes sociais no cenário eleitoral

Conforme 2026 se aproxima, os ânimos e as apostas se intensificam com as expectativas das eleições. Uma das estratégias em evidência no jogo político, é a campanha que se desenrola nas redes sociais. Com métricas próprias de visualizações, likes e influência, sob o comando de publicitários que movimentam os bastidores da política.

O Polêmica Paraíba consultou Dércio Alcântara, estrategista por trás de campanhas como a de Veneziano ao Senado e Pablo Marçal à presidência. Sócio da Plattaforma de Comunicação & Marketing. Segundo ele, a pré-campanha ganhou ainda mais destaque depois da redução do período de campanha para 45 dias. Sendo o momento da propaganda eleitoral utilizado para o confirmar uma escolha e a pré-campanha, a etapa de aproximar o pré-candidato dos eleitores, refinando sua imagem.

“A pré-campanha é até mais importante que a campanha, tendo esta ficado para confirmação e tira-teima”, disse o publicitário.
Pablo Marçal e Dércio Alcântara. Foto: Arquivo Pessoal.

Cenário eleitoral nas redes

O publicitário afirmou que, antes das redes sociais, a TV era o foco das campanhas, com o rádio apenas reproduzindo seu conteúdo. Hoje, as equipes digitais são tão ou mais importantes que as de TV, e produtoras precisaram se adaptar para criar conteúdos com potencial de viralizar.

A internet tem uma vantagem clara: atende ao comportamento “on demand” do eleitor. Ou seja, o conteúdo pode ser consumido a qualquer hora, sem depender de horários fixos de rádio ou televisão. As redes ganham destaque, mas, segundo o estrategista, é fundamental manter atenção às diferentes frentes de contato com o eleitor.

“Equipes tops de campanha conseguem produzir conteúdos sem amarras de tempo, entregues na palma da mão, com a linguagem que viraliza. E com aquele molho de jornalismo misturado à publicidade. O pulo do gato? Cada um tem o seu segredo para vencer.”

Político ou influencer?

O ambiente digital ganha força, mas, para Dércio, a imagem de vitória ainda se constrói na vida real. Métricas de rede são úteis, mas não podem ser o único termômetro. Um dos erros mais comuns é confundir político com influencer e achar que likes se convertem automaticamente em votos.

“A mídia tradicional jamais perde sua relevância. O rádio, por exemplo, ainda tem papel essencial, principalmente onde a internet não protagoniza. Manter o cliente em evidência é fundamental. Orquestrar, repetir, contagiar. O marqueteiro político é como um lanterninha de cinema: procura, para o cliente, um lugar no coração do quase-eleitor.”

Ele também faz um alerta sobre conteúdos vazios que ganham engajamento, mas não geram resultado político real:

“É claro que uma dancinha vai ter mais curtidas do que uma fala densa. Mas moldar um político para uma popularidade fugaz não é inteligente. Agente público não é animador digital. O debate de ideias, a postura, o legado, precisam ser alavancados nas redes, com conteúdo que gera liga. A embalagem importa, mas é o conteúdo que segura.”

Sobre o papel da pré-campanha e campanha, ele diferencia: a primeira serve para posicionar e construir imagem; a segunda, para pedir voto diretamente. A produção para o guia eleitoral, tanto de TV quanto de rádio, exige profissionais experientes e orçamentos altos, algo nem sempre presente na fase inicial. Com a força das redes, novas funções surgiram nas campanhas, como os gestores de tráfego, e produtoras passaram a pensar conteúdo também para formatos curtos, dinâmicos e com foco em viralização.

Nesse cenário, o voto é secreto, mas a construção dele é pública e, cada vez mais, acontece nos bastidores digitais.