Opinião

Quando os Beatles fizeram seu próprio Big Brother - por Marcos Thomaz

Enquanto maior parcela da nação não fala de outro assunto e já está dando aquela espiadinha, tem gente, sabiamente, que diz que vai esperar as tretas para colar na tela do BBB.

Inflamado pelo clima ao redor cometi o pecado de aplicar esta mesma perspectiva sensacionalista ao começar a ver a badalada série recente sobre os Beatles.  “Get Back” era objeto de desejo antigo, antes mesmo de ser lançado, eu já estava ansioso.

Quase engrosso o caldo dos milhares de desesperados que correram para assinar o canal de streaming apenas para ver os meninos de Liverpool em imagens inéditas. Me contive no capitalismo, mas de tanto falar e ler a respeito, só esperava os embates, desavenças entre o quarteto fantástico.

É impressionante como esta sanha por sangue, mesmo no sentido metafórico, mexe com a natureza humana.

Uma legião de espíritos de porco.

E lá estava eu com essas expectativas mórbidas de diversão com desavença alheia…

Por sinal, achei George Harrison ainda mais passivo do que o imaginário geral supunha. Faltou umas pitadas de provocação dos espectadores (produtores, assistentes que estavam no estúdio).

Aquela turma de fora que sempre inflama a confusão. Vale pegar algumas aulas com a turma que dirige “A Fazenda”. Ali sabe fazer furdunço.

Voltando ao “Get Back” (que trocadilho)…

Ringo, bem, não dá para exigir muito do Star, né? Os maledicentes dizem que, nem mesmo bateria ele toca (pausa para desvio das pedras dos xiitas sem senso de humor).

E o John? Chegando atrasado, com a companheira, inexoravelmente, ao lado e estava sempre em outra atmosfera.

Nem a Yoko, sempre acusada de todos os males, fazia jus a fama. Parecia uma samambaia decorativa, sempre postada ao lado do companheiro, montando guarda.

Lá vem a Lumena de dedo em riste me acusando de misoginia unilateral do homem ocidental contra a mulher oriental. No canto da parede Carol Conká ri sarcasticamente e me fulmina com olhar acusatório.

Por sinal, apontar sexismo nesta circunstância é demais. Queria ver você com sua mulher, ou marido plantado diariamente em seu trabalho!?!? Mais que isso, na sua reunião com a equipe, fungando no teu cangote. Pior então, com certeza, era a sensação para os outros “Beatles”…

Yoko não estava apenas no ambiente, tinha cadeira cativa entre o quarteto, literalmente, simulando um quinto elemento.

Ok, ok, já me deram spoiler de maior intervenção explícita, digo interação da Ono com os Beatles de fato e direito.

Minha mulher avisa que estou pagando de Barrichelo e citando apenas pessoas que participaram da edição anterior do BBB…

– “Aí Brasiiiiiillll…”

Compreensível eu não estar por dentro da nova temporada do Big Brother Brasil, afinal, antes do estrondoso sucesso de Juliette e Cia, a referência que tinha do programa era de Grazi Massafera, Jean Willys, Kleber Ban Ban. Coisa dos primórdios desse sucesso global.

Para manter a minha aura de Cult não posso me render a estas superficialidades, gastar meu tempo acompanhando BBB e todas as polêmicas baratas de subproduto midiático.

Opa, e de tempos remotos lembro ainda da participação do Supla.

-Ô animal, esse é da Casa dos Artistas, famigerado programa do SBT.

-Ah, “papito”, ta ligado na grade. Foi só pra testar sua experiência na área de entretenimento de realitys.

A propósito, falando na TVS, o novo BBB serviu para descobrir que o Tiago Abravanel é neto e não filho de Sílvio Santos.

Muito relevante para mim que ainda acho que Sandy e Júnior é uma mesma pessoa, filha de Chitãozinho e Xororó.

Deixa eu voltar logo a série dos geniais Beatles antes da auto-ajuda conciliatória, travestida de poema do Pedro Bial.

-É Tiago Leifert, ô retardatário.

-Peguei você agora, antenadinho. “Fogo no parquinho” já vazou. Agora é Tadeu Shmidt com regulamento para cada participante pedir gol no Fantástico.

“Don’t Let me Down…”

Fonte: Marcos Thomaz
Créditos: Marcos Thomaz