Opinião

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS: Cora Coralina, dos Lins do Brejo paraibano - Por Sergio Botelho

Para quem visita a casa, bem à margem do Rio Vermelho, onde morou na última parte de sua vida a poeta goiana Cora Coralina, na velha Vila Boa de Goiás (hoje mais conhecida como Goiás Velho), antiga capital do estado, uma foto de Padre Cícero e outra de Lampião, Maria Bonita e cangaceiros, existentes na sala, surpreende.

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS: Cora Coralina, dos Lins do Brejo paraibano - Por Sergio Botelho

Para quem visita a casa, bem à margem do Rio Vermelho, onde morou na última parte de sua vida a poeta goiana Cora Coralina, na velha Vila Boa de Goiás (hoje mais conhecida como Goiás Velho), antiga capital do estado, uma foto de Padre Cícero e outra de Lampião, Maria Bonita e cangaceiros, existentes na sala, surpreende.

Mas logo a guia turística explica com naturalidade: é uma homenagem que ela fez ao pai nordestino. De fato, Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, nome de Cora Coralina depois de casada, era filha de Francisco de Paula Lins dos Guimarães Peixoto e de dona Jacyntha Luiza do Couto Brandão, ele, nascido em Areia, na Paraíba, em 1821, e falecido apenas um mês após o nascimento da poeta, em 1889, já em torno dos 68 anos.

Mas por quem ela manteve toda a vida uma devoção emocionante. Francisco de Paula chegou a Goiás na condição de desembargador, nomeado por Dom Pedro II, após ter sido chefe de Polícia no Amazonas e no Piauí, e Juiz de Direito em Macapá e Manaus.

Em seu “Meu Livro de Cordel”, há uma dedicatória bem marcante da autora Cora Coralina que revela a devoção ao pai e ao Nordeste, nos seguintes termos:

“Pelo amor que tenho a todas as estórias e poesias de Cordel, que este livro assim o seja, assim o quero numa ligação profunda e obstinada com todos os anônimos menestréis nordestinos, povo da minha casta, meus irmãos do Nordeste rude, de onde um dia veio meu Pai para que eu nascesse e tivesse vida”.

No mesmo livro há um belo e tocante poema em que ela homenageia o pai, chamado justamente Meu Pai, que diz assim:

“Meu pai se foi com sua toga de Juiz. Nem sei quem lha vestiu. Eu era tão pequena, mal nascida. Ninguém me predizia – vida. Nada lhe dei nas mãos. Nem um beijo, uma oração, um triste ai. Eu era tão pequena!… E fiquei sempre pequenina na grande falta que me fez meu pai”.

Gosto sempre de repetir essa história mostrando como Cora Coralina sempre cuidou de reforçar suas origens.

Também por almejar que um dia seja possível estabelecer algum vínculo de parentesco entre Cora Coralina e o escritor paraibano José Lins do Rego, nascido na cidade de Pilar, em 1901, quase à mesma época da possível parente goiana, a meros 80 quilômetros da Areia do pai de Cora que, na certa, seria parente bem próximo do avô materno da família Lins, proprietário do engenho Corredor, onde José Lins nasceu e viveu sua infância

(As imagens foram extraídas do vídeo Conhecendo Museus, no Youtube)

Fonte: Sérgio Botelho
Créditos: Polêmica Paraíba