Opinião

O Bravo de Taperoá - Por Abelardo Jurema Filho

Eu o conheci quando ele ocupava o cargo de vice-governador do Estado da Paraíba. Os tempos eram outros e os governantes eram eleitos por um Colégio Eleitoral formado pelos deputados que compunham a Assembleia Legislativa. Ele figurou na chapa majoritária, que tinha à frente o professor Ivan Bichara Sobreira, sem restrições da classe política, quase uma unanimidade.

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Eu o conheci quando ele ocupava o cargo de vice-governador do Estado da Paraíba. Os tempos eram outros e os governantes eram eleitos por um Colégio Eleitoral formado pelos deputados que compunham a Assembleia Legislativa. Ele figurou na chapa majoritária, que tinha à frente o professor Ivan Bichara Sobreira, sem restrições da classe política, quase uma unanimidade.

Ele vinha de uma passagem exitosa pela prefeitura de João Pessoa onde deixou a sua marca de integridade e honradez, além de muitas obras em pedra e cal. No exercício de um cargo público ou fora dele, DORGIVAL TERCEIRO NETO era um homem de princípios, de caráter sólido, formado na terra fértil de Taperoá, no Cariri paraibano, onde forjou a sua têmpera de cabra valente e desaforado, comprometido com a sua cidade e os seus conterrâneos.

Quando assumiu o Governo do Estado, em razão do afastamento do titular que se dispôs a disputar o Senado Federal, manteve-se, como sempre foi: simples, direto e sem afetação pelo exercício do Poder. Andava sem seguranças, costumava dispensar o carro oficial e até mesmo o uso da gravata. Não era difícil vê-lo caminhando sozinho pelas ruas ou sentado à uma mesa no Elite Bar, envolto em seus pensamentos.

Nutria por ele uma grande admiração e respeito. Não apenas pela sua trajetória limpa de homem público, mas, sobretudo, pelo seu desapego aos cargos, às pompas e circunstâncias. O bravo de Taperoá valorizava o ser e não o ter e não media o amigo pelo valor de sua conta bancária ou pelo cargo que exercia.

Embora tivesse uma bela família, com uma esposa dedicada, d. Marlene, um filho, Dorgival Júnior, e duas filhas, Germana e Adriana, todos muito bem encaminhados, era um homem só, não pelo abandono dos amigos ou de familiares, mas por pura opção, uma irresistível vocação à solidão que parecia necessária ao seu intelecto, para solidificar as suas convicções e apascentar o seu espírito.

Era na solidão que ele se reencontrava consigo mesmo, que se inspirava em suas incursões literárias, na elaboração dos seus pareceres jurídicos, e nas muitas páginas que escreveu relatando as suas experiências, os seus conceitos e as suas conclusões sobre temas que interessavam à Paraíba e aos seus conterrâneos.

Difícil encontrar um homem como ele. Despido de vaidades, infenso à soberba, vacinado contra a arrogância, a prepotência e à falta de humildade. Dorgival Terceiro Neto, o Doge, como o tratavam os amigos de sua intimidade, era apenas e tão somente um homem inteiro, intacto, indevassável, insubmisso e incorruptível.

Nascido em 12 de setembro de 1932, faleceu, aos 81 anos, em 12 de abril de 2013, quando seguiu o seu voo solitário e irrefreável em direção aos seus ideais de direito, justiça e liberdade.

Fonte: Abelardo Jurema FIlho
Créditos: Polêmica Paraíba