CONTINÊNCIA

A PEDRA QUE FALTAVA – Bolsonaro cumpre objetivo e militariza governo ao indicar o último dos generais - POR FRANCISCO AÍRTON

 

Está se configurando todo o cenário que (me permitam), apresentei aqui, logo assim que tomou posse o governo Bolsonaro, no início do ano passado, de que os militares encontravam a forma mais adequada de voltar ao poder, sem no entanto parecer um golpe! Tenho denunciado à estratégia muito antes de o Brasil eleger o governo de direita que ai está! Só à guisa de lembrete, trago aqui um trecho do artigo, também, escrito por mim e publicado no Polêmica Paraíba, em 21 de fevereiro de 2019 (a um ano, mais precisamente) sob o título:  A república dos generais…   “Um capitão da reserva, um general… Para imprimir maior seriedade em suas pretensões, veio a escolha a dedo para a formação do superministério! Cercou-se convenientemente o novo governante, de militares. São 08 ministros, um vice e um chefe maior! Não sei se propositadamente o governo acabou sendo montado e os cargos mais estratégicos foram pouco a pouco sendo devidamente ocupados. Sem dar um tiro sequer e sem mais estardalhaços… Silenciosamente e acenando para o povo através do seu porta-voz, o próprio vice-presidente, General Mourão, a nova ordem ia sendo construída”!

Bem lembrado, então, estamos vendo hoje, praticamente a conclusão dos prognósticos e agora nos encontramos governados pelos mesmos militares (mudando apenas os nomes, mas a instituição é a mesma) que aqui já estiveram a mais de 50 anos – quando foi perpetrado o famigerado “Golpe de 64” que tanta dor causou ao país por longos 21 anos (até 1985)!

O sacramento da versão 2020 dessa ação se deu na última quinta-feira (13) quando o Capitão, em mais um movimento no tabuleiro, oficializou a nomeação do general Braga Netto para o lugar de Onyx Lorenzoni na Casa Civil. Agora, todos os ministérios com gabinete no Palácio do Planalto passam a ser comandados por militares. Além de Braga Netto, os outros militares palacianos são: Augusto Heleno, no Gabinete de Segurança Institucional; Luiz Eduardo Ramos, na Secretaria de Governo e Jorge Oliveira, na Secretaria-Geral!

Na verdade não poderíamos esperar outra coisa, senão, uma guinada mais acentuada ao militarismo, de uma vez que o próprio “chefe” é um deles! Mas vou ser repetitivo, sim, nas sondagens e reafirmar que tudo esteve muito bem articulado desde muito antes! No entanto, faz-se necessário denunciar os golpes dentro dos golpes e deixar claro que, nem todo mundo está disposto a aceitar como bois levados ao abate, sabendo do seu destino e sem nada reclamar! A propósito, o deputado federal Alessandro Molon – PSB-RJ, foi claro quando disse… que “aos militares cabe a preocupação com a Defesa e a Segurança Nacional”, acrescentando, em seguida, que a sequência de indicações de assessores entre os militares mostra a ‘incapacidade de Bolsonaro de atrair quadros civis qualificados’.

Humildemente discordo, em parte, do deputado, pois não se trata apenas da “incapacidade” do Capitão em suas escolhas, pois tudo, ao que parece, nesse caso em questão, já estava escrito! No artigo de hoje, 16 de fevereiro, do professor de ciência política e economia da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP)  William Nozaki, da Rede Brasil Atual, sob o título: “Militares, milicianos e governo Bolsonaro: oito tópicos para analisar os fatos”, só para citar um dos oitos itens pontuados e comentados, escolhi o terceiro tópico que diz, “essa recomposição dos militares no governo Bolsonaro pode sinalizar uma reversão na derrota da farda para o olavismo, sintetizada na demissão do general Santos Cruz, não por acaso o primeiro a indicar que os militares conteriam os excessos e disparates da ala ideológica do bolsonarismo. Tal mudança de quadro, entretanto, só poderia ocorrer diante de um fato novo, e, talvez, esse ocorrido tenha sido justamente a morte de um dos chefes da milícia carioca. Segundo se tem noticiado, Adriano Nóbrega era peça chave para o esclarecimento das relações entre o clã Bolsonaro, a morte de Marielle Franco e a ação de milicianos. Talvez os serviços militares de inteligência e defesa tenham informações impublicáveis sobre esse acontecimento, o que colocaria as Forças Armadas em outro patamar diante dos bolsonaristas”. Lembra.

A chegada do general Walter Souza Braga Netto, também responsável pela intervenção no Rio de Janeiro, em 2018, talvez seja um exemplo até mais claro dessa invasão silenciosa dos militares no governo brasileiro, sufocando aos poucos uma administração – antes civil – e colocando em prática todo o aprendizado de táticas de ocupação sem grandes estardalhaços! Agora, todos os ministérios com gabinete no Palácio do Planalto passam a ser comandados por militares! Está na cara que essa indicação do general para a Casa Civil/Militar pode nem ter sido uma escolha livre do próprio Bolsonaro. Para mim, em particular, está explícito que a indicação só pode ser “resultado da pressão das Forças Armadas sobre uma família presidencial envolta em casos truncados e nebulosos. Nesse sentido, a Casa Civil talvez esteja também sob discreta “intervenção”. Acrescenta a matéria no ponto seguinte!

O certo é que a figura do Bolsonaro presidente tem funcionado muito mais como a complicada esfinge para quem quer entender seus atrapalhados gestos e declarações! Qual o seu real papel nesse governo (agora mais militarizado que nunca)? O entra e sai de ministros civis e cada vez mais confusos, beirando a trapalhões, na verdade tem funcionado como verdadeira cortina de fumaça (e já tive a oportunidade de falar isso outras vezes por aqui), enquanto o plano de militarização tem tomado corpo e se enraizado fortemente! Parte da imprensa/cumplice, enquanto aplaude a cada banana e outros xingamentos que recebe do astro principal, tem se ocupado mais em divulgar frases homofóbicas proferidas, teorias de terra plana, goiabeiras, definição de sexo para crianças através da cor da roupa, de plantios de drogas em universidades, ministros (e não escapa um) de educação que sequer sabem escrever ou falar, assessores envolvidos em escândalos outros, decisões confusas que tem prejudicado pessoas (principalmente estudantes), enfim…

Enquanto a imprensa se diverte na cobertura cômica do dia a dia de um governante que usa de palavrões e ataques as pobres mães de jornalistas, abusa de gestos obscenos, etc. esquece algo mais sério e mais perigoso que vem acontecendo sob suas barbas (dos jornalistas) de forma bastante livre!

Então, que esqueçamos as Damares, Reginas, Weintraubs, Eduardos, Carlos, Vélez e Flávios! Chega de rir. Acabou a diversão! Um plano poderoso foi posto em prática e está sendo executado com maestria! Daqui a mais algumas jogadas no tabuleiro e o Capitão já não será tão imprescindível assim! É preciso, portanto, acordar agora e que passemos a nos preocupar mais com a ameaça maior, (uma ameaça assustadoramente calma e silenciosa) que, como uma enorme moenda, tritura quem vier pela frente, de olho apenas em seu objetivo maior!

 

Fonte: Por Francisco Airton
Créditos: Por Francisco Airton