opinião

A FALTA DE VONTADE POLÍTICA - Por Rui Leitão 

Ao elegermos alguém para o exercício de um mandato, estamos transferindo para uma determinada pessoa o direito de tornar ação efetiva a nossa vontade política.

Ao elegermos alguém para o exercício de um mandato, estamos transferindo para uma determinada pessoa o direito de tornar ação efetiva a nossa vontade política. Delegamos para ele a capacidade de satisfazer as necessidades da sociedade, por decisão de uma maioria expressa nas urnas. A vontade política, portanto, não pode ser compreendida como pertencente a uma autoridade pública. Ela deve ser a manifestação de um sentimento social, definida por seus integrantes. O agir político, ético e moral de um governante deve corresponder, então, às demandas da coletividade que o elegeu.

O desajustamento ao que seja vontade majoritária do povo e as decisões soberanas e autoritárias de quem está no desempenho de uma missão administrativa, revela postura contrária aos princípios democráticos, produzindo desencanto político. A vontade política não pode ficar vinculada a ideais individualistas. A razão pública deve preponderar nas deliberações de gestão de um mandatário. É inadmissível que as preferências pessoais de um governante prevaleçam em detrimento do que se exige para o alcance do bem-estar social.

O líder precisa estar preparado para firmar posições perante às questões de interesse público que se vê obrigado a enfrentar. Sem nunca desprezar o bom senso na oportunidade em que é cobrado a tomar uma decisão, primando pela racionalidade. É assim que se coloca em prática a “vontade política” positiva, evitando ser orientada por desejos imaturos e egocêntricos.

Essas reflexões nascem do exemplo que nos está sendo oferecido pelo atual presidente dos Estados Unidos no enfrentamento à pandemia do coronavírus naquele país. Enquanto o seu antecessor se recusava em considerar a gravidade da crise sanitária, adotando uma postura negacionista e irresponsável, Biden já anuncia que a população ianque estará totalmente vacinada até o final do mês de maio. A falta de vontade política para resolver o problema, revelada por Trump, foi responsável pelo agravamento da situação crítica diante da doença em território norte-americano. Seu sucessor entendeu diferente. Soube corresponder à ansiedade dos seus governados e tomou decisões políticas que oferecem alívio no drama vivido por aquele povo.

A omissão é uma atitude política que acarreta preocupantes consequências para a sociedade. Ao invés de resolver crises, concorre para o seu aprofundamento. Quando era observada a total ausência do governo Trump na adoção de medidas objetivas e eficazes para conter os avanços da contaminação do covid-19, os Estados Unidos apresentavam-se ao mundo como a nação onde mais se registravam casos de hospitalização e óbitos causados pelo vírus. Nos primeiros meses de 2021 já se observa uma queda nessas estatísticas trágicas. Qual a razão disso? Um governante que age em consonância com a ansiedade coletiva e faz valer com responsabilidade a capacidade de expressar a “vontade política” que lhe foi delegada pela população.

Lá não se vê mais o chefe da nação negar as evidências científicas. Também não se verifica mais comportamento de violação às normas de saúde pública. O presidente compreendeu que se fazia necessário assumir a coordenação das políticas nacionais de vigilância epidemiológica. O presidente Biden dá o exemplo de como um gestor público deve agir, tendo a coragem de decidir em favor do seu povo, sem a preocupação em atender prioritariamente interesses político-partidários ou ideológicos.

A falta de vontade política de Trump em procurar resolver o problema sanitário da Covid fez com que o eleitorado também não tivesse vontade reelege-lo.

Fonte: Polêmica Paraíba
Créditos: Rui Leitão