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Prédio de idoso de 98 anos que matou homem a tiros na Bahia é vandalizado

O corpo Welton foi enterrado na tarde de segunda, no Cemitério do Campo Santo, sob forte comoção. Parentes e amigos pediram justiça pela situação.

O prédio onde mora o idoso de 98 anos que matou o homem a tiros no Largo Dois de Julho, em Salvador, foi vandalizado entre a manhã de segunda-feira (23) e a madrugada desta terça (24). Mensagens de ameaça ao policial militar aposentado foram pichadas no imóvel.

Welton Lopes Costa, a vítima, tinha 34 anos e foi morto a tiros depois de uma discussão, na tarde de domingo (22). Familiares e amigos dele protestaram na Rua Carlos Gomes, na tarde de segunda, horas antes do enterro.

Frases como: “Vai morrer, velho assassino” foram escritas nas paredes do imóvel do idoso. No bairro, a situação divide opiniões de moradores, que falaram sobre o comportamento dele. Uns, apontam que ele tem um histórico de comportamento agressivo, outros dizem que ele parecia inofensivo.

“A índole dele já é conhecida. As crianças já têm medo. Tem uma árvore lá, uma mangueira, que ele diz que ele plantou. Ele colocou um arame farpado na mangueira para as crianças não subirem. E quando as crianças sobem na árvore, ele dá tiro pela janela, nas crianças”, disse o empresário Pablo Portela.

Outro morador, que não quis se identificar, disse que o idoso é conhecido no bairro pelo apelido de “Tzeu” e também contou sobre como o idoso agia.

“Ele vivia pela rua resmungando, mas parecia inofensivo. Até brincava com meu pai e minha mãe. Rodava esse largo todo caminhando, era bem disposto. Talvez fosse desequilibrado, mas colocar arame em uma árvore não é ser violento. E ele foi socorrer a mulher, que estava sendo arrastada pelo cabelo, pelo homem que morreu”.

Ainda não há informações se a mulher já prestou depoimento. A discussão entre o casal chegou a ser confirmada por um dos irmãos da vítima, na segunda-feira. Segundo Welbert Lopes, a briga começou porque ela, que também foi baleada na confusão, se atrasou na saída do trabalho.

“A esposa dele [de Welton] trabalha na padaria aqui no bairro, e ela estava no turno de ontem. Como ela estava demorando para chegar, e eles já tinham um compromisso, eles iam sair, e as crianças estavam aguardando para o almoço, ele foi ver o que estava acontecendo, e viu que a padaria estava fechada. Quando ele olhou pra trás, ele viu ela na porta do bar. Já chateado porque ela estava demorando a chegar, ele foi até ela e começou uma discussão”, contou ele.

A mulher chegou a ser hospitalizada, mas teve alta médica ainda no domingo. Depois de disparar os tiros, o idoso foi contido por moradores e levado para uma delegacia, pela Polícia Militar. Lá, ele foi ouvido e foi liberado. Em depoimento, o idoso alegou legítima defesa. Não há detalhes sobre aonde ele está, nem se está na casa de parentes.

A Polícia Civil informou que análise do porte de arma de fogo foi concedida ao policial militar aposentado, mas não detalhou se ele já apresentou documento que comprove a liberação para o porte. O idoso poderá responder por homicídio e tentativa de homicídio, já que a mulher também foi baleada na ação.

A presidente da Comissão de Direito Criminal, da Ordem dos Advogados do Brasil Seção Bahia (OAB-BA), Fernanda Ravazzano, explicou que ele pode ser punido legalmente, já que a imputabilidade penal – ou seja, a capacidade de uma pessoa praticar um crime com entendimento do ato – é relativa.

“Há uma presunção em razão da idade dele avançada, e do fato dele ter vivido sempre em uma situação de tensão, ali. Ele foi policial militar, ele é aposentado. Não é o fato dele ser idoso, que automaticamente ele é senil, é inimputável”.

O corpo Welton foi enterrado na tarde de segunda, no Cemitério do Campo Santo, sob forte comoção. Parentes e amigos pediram justiça pela situação.

Fonte: G1
Créditos: G1