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ENEM: o descaso no ensino brasileiro durante a pandemia de covid-19

"Muitas delas não tiveram apoio com aula EAD, acompanhamento com os professores e até mesmo com a própria escola. A esperança de passar no ENEM foi perdida por conta do balanço emocional", disse Erick Thauan, aluno do terceiro ano do ensino médio.

 

Em meio à pandemia do novo coronavírus, milhares de estudantes brasileiros irão realizar o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), neste próximo domingo, 17, e também no dia 24 de janeiro. Mesmo que o governo garanta todos os cuidados necessários para evitar a disseminação do covid-19, outros problemas configuram o descaso quanto à realização da prova, como por exemplo a carga reduzida das aulas durante o ano de 2020, já que muitas escolas tiveram que se adaptar para produzir o conteúdo de maneira remota.

Dessa maneira, as escolas, sobretudo, da rede privada, optaram por fazer uso de algum aplicativo de vídeo-conferência como forma de ofertar o conteúdo à longa distância, respeitando o distanciamento social. Erick Thauan, estudante do 3º ano do ensino médio de uma escola particular, conta como aconteceu esse processo de reposição das aulas. “Assim que começou a pandemia, a minha escola declarou férias no mês de março e ia voltar no mês de abril, sendo que não voltou. Nesse pequeno período de férias, o meu professor de física nos deu uma ideia de fazer umas revisões, como por exemplo através de vídeo-chamadas pelo Zoom. Ele marcava os dias à tarde e fazia as revisões. Então, dessa forma, a minha escola acabou optando por usar o Zoom. Muitas das vezes, meus professores iam na escola e ficavam na sala pra ter como gravar as aulas. Fizemos também muito o uso do Google Class Room para enviar as atividades e também receber os slides e arquivos.”

Ele também ressalta que, devido a dificuldade enfrentada por outros alunos, a concorrência tende a ser menor, o que não é justo na sua visão. “A concorrência do ENEM pode ser menor esse ano, justamente pelo fato de muitas pessoas não terem tido tempo pra estudar durante essa pandemia. Muitas delas não tiveram apoio com aula EAD, acompanhamento com os professores e até mesmo com a própria escola. A esperança de passar no ENEM foi perdida por conta do balanço emocional.”

Por sua vez, Rayanne Barbosa, estudante do 3º ano do ensino médio da rede pública, fala que a pandemia só evidenciou os problemas que já eram existentes no ensino público, além da tamanha negligência que é tida nesse momento. “A gente já vinha tendo dificuldade antes da pandemia, na verdade, ela só agravou a realidade do ensino público no Brasil. É um ensino que não consegue cumprir 50% daquilo que promete para o aluno, porque, infelizmente, não tem estrutura pra isso. O governo tenta tampar os olhos, mas com essa atual situação, foi mostrada a realidade à sociedade: nós, os alunos de escola pública não temos condições de prestar a prova, já que o ensino não é igualitário, levando em consideração que os alunos de escola particular, tem todo comodismo de terem tidos os assuntos dados durante o ano inteiro.”

Diferentemente dos alunos da rede particular, o auxílio profissional não foi dado de maneira correta aos alunos da rede pública. “A maior dificuldade foi a falta de contato pra tirar dúvida, porque a gente não tem a mesma atenção que a gente teria se fosse presencial. Muitas vezes a gente acaba não focando nas aulas, desviando nossa atenção pra coisas que não acontecem no nosso dia-a-dia, até mesmo o ambiente que a gente está em casa. Os professores também não conseguiram se adaptar a isso, o que também acabou influenciando bastante.”

Fonte: Nathalia Souza
Créditos: Polêmica Paraíba