PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS: A saga da Epitácio Pessoa - Por Sérgio Botelho

A bela foto, colorida por IA (mas já bastante divulgada, principalmente no Facebook), que ilustra a matéria, representa trabalhadores na construção da atual Avenida Epitácio Pessoa.

A via foi a primeira providência com começo meio e fim no sentido de ligar o Centro ao mar, e acabou roubando uma denominação que havia sido atribuída às Trincheiras, sem sucesso.

O homenageado é o ex-presidente da República, Epitácio Pessoa, nascido em Umbuzeiro, tio de João Pessoa, e único paraibano a assumir o cargo máximo da República, o que aconteceu entre 1919 e 1922.

Traçado reto, de oeste a leste, com cerca de cinco quilômetros, a via conecta a Praça da Independência às orlas de Tambaú e Cabo Branco, dando termo ao movimento da cidade no rumo da praia, portanto.

A sua concretização acompanha o progresso urbano da cidade, especialmente com a avenida Tambiá ligando o Centro à região de Cruz do Peixe, onde já havia antiga marca urbana, na forma de uma estação de bondes.

O referido espaço urbano, originalmente, propriedade de beneditinos, ganhou ainda mais dimensão com a chegada dos equipamentos da Santa Casa de Misericórdia (hospital, asilo e cemitério) e a Empresa de Tração, Luz e Força.

Ressalte-se que em 1906 foi aberta, a partir da estação de bondes, a Ferrovia de Tambaú, com a construção de trilhos até o sítio da Imbiribeira, ponto final para quem queria ir à praia, exatamente onde hoje existe o bairro de Tambauzinho.

Em 1918, o Estado incluiu a abertura da avenida entre as grandes obras. Em 1919, começaram os serviços. Em 1920, a ligação estava concluída, bem grosseiramente. Estava aberto o caminho da praia.

Em 1922, a gestão do prefeito Guedes Pereira implantou a Praça da Independência, no ponto de partida da via, promovendo ainda mais a região de Cruz do Peixe no espectro urbano da cidade.

Nos anos 1940, a avenida ganhou os bondes elétricos rumo a Tambaú. Cresceu a frequência à praia e o caminho ficou mais vivo. Em 1952, veio o calçamento definitivo sob o governo José Américo.

A partir daí, surgiram o Miramar e Tambauzinho, e se adensaram bairros como Torre e Expedicionários. Casas de veraneio se misturaram às moradias fixas e o litoral virou vitrine de modernidade. A cidade passou a olhar mais para a praia.

Hoje, a Epitácio Pessoa conta a parte da história da cidade a partir do rompimento de um casulo que durou séculos, e que praticamente reduzia a urbe ao espaço entre o Sanhauá e a Lagoa.

Sérgio Botelho

Sergio Mario Botelho de Araujo Paraibano, nascido em João Pessoa em 20 de fevereiro de 1950, residindo em Brasília. Já trabalhou nos jornais O Norte, A União e Correio da Paraíba, rádios CBN-João Pessoa, FM O Norte e Tabajara, e TV Correio da Paraíba. Foi assessor de Comunicação na Câmara dos Deputados e Senado Federal.

Sergio Mario Botelho de Araujo Paraibano, nascido em João Pessoa em 20 de fevereiro de 1950, residindo em Brasília. Já trabalhou nos jornais O Norte, A União e Correio da Paraíba, rádios CBN-João Pessoa, FM O Norte e Tabajara, e TV Correio da Paraíba. Foi assessor de Comunicação na Câmara dos Deputados e Senado Federal.