
O YouTube excluiu canais com milhões de seguidores por exibirem conteúdos considerados impróprios envolvendo crianças e adolescentes. Entre os removidos estão os de João Caetano, Taspio e o casal Paty e Dedé, cujos vídeos mostravam menores em situações vexatórias, violentas ou com conotação sexual, muitas vezes com a participação ativa dos influenciadores adultos. Também foram apagados os canais Bel para Meninas e o de sua mãe, Fran, acusados de expor a jovem, desde a infância, a conteúdos considerados humilhantes.
Efeito Felca
A queda destes canais vem após a denúncia do influenciador Felca sobre a “adultização” de menores online, o que impulsionou a aprovação de um projeto de lei para proteção infantil nas redes sociais. O desdobramento tem sido chamado pela mídia de “Efeito Felca”.
‘Não apague nossa história’, diz youtuber acompanhada desde criança
Bel, com recém-completados 18 anos, publicou um vídeo com um cartaz onde se lia “YouTube, não apague a nossa história”, convocando para um protesto pacífico. Em outro vídeo, gravado no dia 20 de agosto, ela aparece chorando ao contar que recebeu um e-mail informando sobre a remoção do canal.
A jovem afirma estar sendo vítima de “perseguição” e nega ter produzido conteúdos inadequados. Disse ainda que foi até a sede do YouTube e não foi recebida. “Dói ver tudo que eu e minha família construíram ao lado do YouTube, com o apoio deles, ser jogado fora de repente.”
Ela também já havia criticado o vídeo de Felca, no qual foi citada, classificando as acusações antigas como “fake news”. Segundo Bel, a exposição nas redes aconteceu por vontade própria, já que ela sonhava em ser famosa desde criança. No entanto, a família já havia sido alvo de ação judicial anos atrás por vídeos polêmicos, como um em que a mãe exibia a filha vomitando após comer algo que não gostava.
O PL 2628
Nesta semana, o PL 2628, já aprovado pelo Congresso, ser sancionado em breve pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com o objetivo de proteger crianças e adolescentes na ambiente virtual.
As plataformas serão obrigadas a remover sem ação judicial conteúdos que violem os direitos dos menores, como exploração e abuso sexual, violência, assédio ou “indução, incitação, instigação ou auxílio a práticas ou comportamentos que levem a danos à saúde física ou mental”. E ainda não poderão monetizar ou impulsionar conteúdos que retratem crianças e adolescentes de forma erotizada ou sexualmente sugestiva.