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'Parlamentares querem ganhar tempo nos processos que tramitam no STF', dispara Flávio Lúcio sobre aprovação de foro privilegiado

Apesar do interesse pessoal dos investigados, especialista diz que medida representa um avanço

O professor universitário e cientista político Flávio Lúcio Vieira disse na manhã desta quinta-feira, 01, que a aprovação de projeto que acaba com o foro privilegiado tem aspectos positivos e negativos para o país. Em participação no programa CBN João Pessoa, na Rádio CBN, ele disse que “em uma democracia mais desenvolvida, como Inglaterra e França, não existe foro privilegiado, foi derrubado na revolução francesa, há muito tempo, e o Brasil mantinha”.

Ele disse que “temos, no Brasil, 37 mil pessoas que estão acima dos mortais comuns, quando um desses políticos comete crimes só pode ser julgados pelo Supremo Tribunal Federal, mas a pressão popular, principalmente com a Operação Lava Jato, nos últimos três anos, tem mudado o atual cenário, fazendo com que as pessoas acordem sobre diversos temas”.

Flávio Lúcio destacou ainda que “o Senado aprovou o fim do foro, por unanimidade, mesmo aqueles que respondem a processos, e o projeto vai para a Câmara dos deputados, para votação em dois turnos; apesar de aprovado, o texto prevê prisão apenas em caso de flagrante “e só será preso quando não tiver mais recursos judiciais para serem analisados, não vale para os políticos, a prisão após condenação em segunda instância, como acontece com pessoas comuns”.

Ele concluiu dizendo que a medida representa “um avanço, mas ao mesmo tempo houve alteração na matéria porque os parlamentares querem ganhar tempo nos processos que tramitam no STF”, afirmou o professor.
Créditos: Ívyna Souto – Polêmica Paraíba