Parece que o portal do inferno se abriu e as criaturas mais bestiais escaparam em debandada para tomar de assalto as instituições – da família ao Estado, sem poupar ninguém. De forma perturbadora, esses incontáveis replicantes são, ao mesmo tempo, repudiados e adorados por toda parte, assim como o triste exemplar plantado na Presidência do nosso país.

A figura de Bolsonaro causa repulsa por combinar tirania com extraordinária burrice e uma estética vexatória, e ainda assim consegue ser inacreditavelmente sedutora. Muita gente não só acha graça do seu estilo inconsequente e “autêntico” de ser, como se sente desforrada por sua performance apocalíptica. Como é possível que os grunhidos desses seres das trevas ainda recebam tanta adesão? Não somos melhores do que isso?

O Bolsonaro mitificado é perfeito na sua síntese ignóbil, mas seus semelhantes humanizados costumam ser mais complexos e contraditórios. Nem mesmo o senhor Jair Messias, a pessoa física, está à altura da sua versão icônica. O problema é que, na vida real, todo mundo pode ter um pouco de Bolsonaro. Como lidar?

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* Áurea Carolina foi eleita deputada federal pelo PSOL de Minas Gerais em 2018. Antes disso, foi a vereadora mais votada de Belo Horizonte em 2016. Integrante da movimentação cidadanista Muitas, atua em movimentos sociais desde a adolescência e é formada em ciências sociais pela UFMG, onde também concluiu mestrado em ciência política. Além disso, fez especialização em gênero e igualdade pela Universidade Autônoma de Barcelona.

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