branquinha de primeira

NA ROTA DA CANA: Serra Limpa conquista adeptos em todo território nacional e produz a melhor cachaça branca do Brasil

“A Cachaça tem um papel cultural e econômico destacado na sociedade brasileira. No entanto, o espaço que ela ocupa, seja no imaginário ou seja em números de mercado, não reflete essa importância.

A afirmação está na “Carta de Vitória”, aprovada no encerramento do Congresso Brasileiro da Cachaça, que se realizou nos dias 05 e 06 de setembro, em paralelo ao Salão de Negócios da Cachaça, em Vitória – ES, um marco para o setor, apontando caminhos para o futuro da cachaça.


A Dornas Havana produz dornas e barris de variados tamanhos, dentro da capacidade de 1 a 60.000 litros.




 

Partir desse pressuposto, como a Carta de Vitória faz, é fundamental para que se trace um diagnóstico correto e se estabeleçam as medidas necessárias para um avanço”.

Conscientes do que acontece no cenário nacional, seguimos firmes pelos caminhos das conquistas com as melhores cachaças do país sendo produzidas por aqui! Venham, então, conosco pela “Rota da Cana” e conheçam novos destinos!

A nossa viagem, nessa semana, continua pelas estradas da Paraíba, seguindo na Rota da Cana. E todos os caminhos nos levam, agora, ao Engenho Imaculada Conceição, localizado na PB – 081- em Serra da Raiz, pertence a região geográfica intermediária de João Pessoa e à região geográfica imediata de Guarabira, distante 138 quilômetros de João Pessoa – PB, fabricante da cachaça Serra Limpa, com uma produção de aproximadamente 100 mil litros por ano.

Nascida em 1992, em uma área de 331 hectares no Engenho Imaculada Conceição, a Serra Limpa vem conquistando adeptos em todo território nacional. Com um sabor inigualável e de aroma marcante, a Serra Limpa traz em sua essência o que há de melhor em uma cachaça, devido a ser produzida da parte mais nobre da cachaça, que é o “coração” (Os produtos de coração são os que contêm a menor quantidade de substâncias voláteis, constituindo, dessa forma, a melhor fração do destilado. Essa fração é cerca de 80% do volume total). A destilaria possui dois alambiques de cobre, depósitos de aço inox e não compra cana de ninguém, só a própria. “Teve boa fermentação, tem boa destilação”, assegura Antônio Inácio, proprietário do engenho. É, portanto, considerada e regulamentada pelo IBD (Associação de Certificação Instituto Biodinâmico) como a 1ª e única cachaça orgânica e genuinamente paraibana.

O engenho atua de forma a produzir a melhor cachaça branca do Brasil, sempre pautado na qualidade em toda a cadeia produtiva, sendo a cachaça, a única com selo Orgânico produzida no estado. Para Antônio Inácio, “Para poder ter qualidade é preciso ter limpeza absoluta”! E isso ele aprendeu logo quando começou a fabricar. Ainda segundo o próprio, até então ele não tinha conhecimento de engenho de cachaça. Só conhecia engenho de rapadura!

Em entrevista concedida por ocasião da visita de uma executiva do ramo de destilados, de Minas Gerais, ao engenho Imaculada, a fabricação de cachaça surgiu da necessidade do que se fazer com a cana produzida na própria fazenda. Daí surgiu a ideia de se produzir cachaça. E o reconhecimento vem principalmente dos clientes de todo Brasil e do exterior. Além disso, a Serra Limpa se tornou uma campeã de prêmios que são atestados pelos grandes veículos de comunicação do Estado e do País, a exemplo das renomadas revistas Veja, Playboy e VIP.

O preconceito apesar das conquistas
Foi, também, no Congresso Brasileiro da Cachaça, em Vitória, no Espírito Santo, que se discutiu o lugar da cachaça no cenário nacional e a sua importância enquanto produto nosso. Na verdade a Cachaça foi “oficializada” pelo Estado como bebida nacional muito recentemente. E o próprio termo “cachaça” ainda era rejeitado, até por alguns produtores, nos anos 1990. “O trabalho conjunto para vencer os estigmas ligados à Cachaça é tarefa individual e coletiva, um combate a ser travado a cada dia. É urgente trazer a cachaça para o século XXI. Não há mais espaço para amadorismo em nosso setor. É necessário que a tecnologia disponível seja utilizada para levar adiante a tradição de qualidade de 500 anos do mais antigo destilado das Américas”.

O professor Leandro Marelli deu à sua palestra no Congresso sob o título “Cachaça – Tradição e Modernidade”. A ideia foi mostrar que a tecnologia pode trabalhar a serviço das tradições de qualidade do nosso destilado. Para além da porteira, o mesmo serve: “o setor precisa abraçar estratégias de comunicação e marketing no mesmo nível das utilizadas pelos outros grandes destilados globais, não apenas com foco no produto, como também no cliente. Mas, para isso, é preciso adotar as estratégias corretas em todas as áreas”.

A Carta de Vitória é uma boa ferramenta a indicar os caminhos para esse fim. A Paraíba será sede do II Congresso Nacional da Cachaça, em 2021, e quem sabe talvez já possamos mensurar os resultados.

A melhor cachaça branca do Brasil
A Cachaça Serra Limpa é totalmente orgânica. Toda produção vem de plantios próprios. A melhor cachaça branca do Brasil (As cachaças brancas, também chamadas de puras, são aquelas que não passam por envelhecimento. Elas vão direto, após destiladas, para as dornas de inox). É que o fabricante utiliza só o coração. Para melhor entender, *durante a produção de cachaça, a operação dos alambiques deve passar por etapas. Assim, na destilação, no alambique, em sistema descontínuo, obtêm-se três produtos: cabeça, coração e cauda. Segundo seu Antônio, a chamada “cana de cabeça”, é a pior que tem. “Por que ela vem com arrasto. O que dar dor de cabeça e ressaca”, garante. Por último, estão os produtos da cauda, constituídos de ” água fraca”, em que a quantidade de álcool é pequena em relação à quantidade de água.

Por todas essas qualidades, a Cachaça Serra Limpa figura no ranking das 50 melhores cachaças brasileiras, segundo pesquisa promovida pelo caderno Paladar, do Jornal O Estado de São Paulo e tem os selos de certificação do IBD – Instituto Brasileiro de Inspeções e Certificações Agropecuárias e Alimentícias, reconhecido pela unidade de produtos orgânicos do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos – USDA. “Nunca produzi com adubo químico. Como o produto orgânico, hoje, tá sendo o principal do país, procurei certifica-la como orgânica”, assegura Antônio Inácio.

E ao final é muito bom saber que a empresa funciona de forma bem familiar. É o próprio Antônio Inácio quem identifica. A esposa fica na parte de vendas. Só ela conhece os clientes. O filho Robson, ajuda no engenho, a filha e o neto Jobson, que ajudam na loja. “Assim, quando eu viajar, eles já estarão dentro do negócio”, diz sorridente!

Fonte: Por Francisco Airton
Créditos: Por Francisco Airton