Quem está com a razão?

INSEGURANÇA JURÍDICA NO STF: advogados paraibanos divergem sobre decisões de Kássio Nunes e Gilmar Mendes quanto ao funcionamento das igrejas; ENTENDA

Em um ponto, dois advogados paraibanos ouvidos pela reportagem do Polêmica Paraíba, concordam: há insegurança jurídica causada no conflito de decisões no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF) em relação ao funcionamento de igrejas no Brasil

Em um ponto, dois advogados paraibanos ouvidos pela reportagem do Polêmica Paraíba, concordam: há insegurança jurídica causada no conflito de decisões no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF) em relação ao funcionamento de igrejas no Brasil. Esse também é o entendimento da maioria dos juristas brasileiros acerca desse ponto.

Os advogados Inácio Queiroz e Luiz Pereira, dois dos mais requisitados criminalistas paraibanos, divergem, entretanto, em relação a quem tem razão no imbróglio judicial: o ministro Kássio Nunes, que liberou a realização de cultos, com presença de fiéis em todo o Brasil atendendo a uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) impetrada, em junho do ano passado, pela Associação Nacional de Juristas Evangélicos (Anajure), ou o ministro Gilmar Mendes, que acatou ação do PSD para proibir a realização das cerimônias religiosas no Estado de São Paulo.

Luiz Pereira

No entendimento de Luiz Pereira, o ministro Kássio Nunes contrariou o colegiado do STF, que já havia batido martelo no ano passado sobre o assunto ao dar preferência aos governadores e prefeitos para dizerem quais as medidas sanitárias devem ser adotadas em cada localidade, a depender do estado da rede hospitalar e número de leitos de UTI e de mortes.

“A verdade é que o ministro Kássio feriu a hierarquia das decisões do colegiado, que historicamente tem soberania frente as decisões monocráticas dos seus pares e dos demais tribunais brasileiros. Essa postura, açodada por natureza principiológica, revela possível alinhamento (não intencional, acredito) com as manifestações do presidente Jair Bolsonaro, o que pode levar o ministro a ter sua imparcialidade questionada, além de sofrer, internamente, correições pelo colegiado”, considerou.

Ainda na avaliação de Pereira, “nenhum juiz ( no sentido amplo) pode confrontar decisões do maior colegiado constitucional do país, diga-se de passagem, aquele que diz o direito no último degrau hierárquico do sistema jurídico brasileiro”.

Inácio Queiroz

Para o advogado Inácio Queiroz, no entanto, foi o ministro Gilmar Mendes quem causou insegurança jurídica ao contrariar uma decisão de Marques, que tinha abrangência nacional. Segundo ele, a decisão de Nunes Marques não contrariou o plenário do STF, e sim preservou ‘preceitos fundamentais da Constituição’, a exemplo da liberdade religiosa.

“O ministro Nunes Marques, inclusive, acompanhado pela Advocacia Geral da União e pela Procuradoria Geral da República, determinou que os cultos deveriam ocorrer em âmbito Nacional, cumprindo o que determina a constituição (VI, art. 5, CF). O plenário do STF não deu liberdade aos estados para ferir a Constituição, principalmente na parte dos Direitos fundamentais como é o caso da liberdade religiosa (…) permitiu apenas que esses entes poderiam concorrentemente criar regras sanitárias (a exemplo de distanciamento social, abertura de estabelecimentos etc), ou no máximo restringir a presença pessoas aos cultos, mas, não de proibir a abertura das igrejas. Perceba que a proibição de cultos e missas sequer poderia ocorrer se houvesse estado de sítio e de defesa”, avaliou.

Paraíba

Na Paraíba, conforme decreto estadual válido a partir desta segunda-feira (05), as missas, cultos e cerimônias religiosas presenciais poderão ocorrer, com ocupação de 30% da capacidade do local, podendo chegar a 50% da capacidade com a utilização de áreas abertas. A proibição de cerimônias presenciais ocorreu até ontem (04).

Enquanto isso, a querela jurídica no STF permanece, mas deve ser decidida na quarta-feira (07), pois o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux, agendou a análise da matéria no plenário da Corte. De acordo com a CNN, Fux ainda aguardaria, no entanto, a definição do ministro Gilmar Mendes em outros dois processos sobre o mesmo tema.

Fonte: Polêmica Paraíba
Créditos: Polêmica Paraíba