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Quando "o chinês da 25 de março" chegou na Feira de Mangabeira - Por Ma

Feiras livres sempre me despertaram enorme curiosidade. Já adulto esse olhar atento ganhou ar de fascínio.

Feiras livres sempre me despertaram enorme curiosidade.

Já adulto esse olhar atento ganhou ar de fascínio.

Era na feira em Buerarema que Mainha mandava comprar sarapatel aos sábados. Aquele sabor acre e aroma saborosamente azedo. Intragável para alguns, é um manjar que ainda invade minhas narinas.

Comida, por sinal, é uma herança familiar deste gosto por feiras livres.

Somos glutões inveterados.

Minha vó, meu tio maternos (ainda vozinha e titio para mim) são “bichos de feira”. Toda vez que estão aqui em João Pessoa eles tem que ir comer estas iguarias suínas e outras maravilhas da culinária nos Mercados Públicos da vida.

Eu gostcho.

Foi na Feira do São Caetano, em Itabuna, que ganhei dinheiro com algum trabalho pela primeira vez, ainda na adolescência.

Eu e meu irmão mais velho, Matheus, fomos vender banana com meu pai, que indignado com o “oportunismo” dos atravessadores, resolveu ele mesmo dar escoamento a sua produção.

Talvez ali meu pai tenha dado sentido ao termo “a preço de banana”.

É ainda na feira livre que encontro as figuras mais pitorescas.

Querem conhecer as características de uma cidade, lugar? Vá a uma Feira.

Você vai conhecer o povo de uma localidade no Mercado Público não em Shopping Center, que tem as mesmas figuras robotizadas, comendo fast food e desfilando roupas de grife aqui, ou no Iguatemi em São Paulo!

Nessa trajetória, já em João Pessoa, por proximidade, a Feira de Mangabeira é o meu reduto há alguns anos.

Desde bebê, com meses, se transformou em um rotineiro passeio aos domingos também para o Ben.

De fralda e cambota correndo atrás de animais, inebriado com a cantoria do embolador, atropelado por aquele mar de gente, embriagado por aquela mistura de cores e cheiros.

É lá que, eventualmente, compro frutas, verduras, castanha, amendoim e, claro, a ave para fazer a tradicional galinhada do domingo.

Lá também rola o cuscuz com galinha em Seu Luiz, as panelas mais ariadas da Via Láctea. Com brilho intenso reluzindo lá na Penha.

Mas, quero manifestar aqui a minha indignação e ruptura com a Feira de Mangabeira.

Eu sou baiano, forjado na barganha e nenhum lugar é mais indicado a isso que Feira Livre.

Apesar da adaptação natural as características da Paraíba, com pouca margem para flexibilizações, digamos assim, me recuso a aceitar não ter pechincha na feira.

Logo ali, mercados abertos, ao ar livre, onde surgiram as primeiras tratativas comerciais da humanidade.

Desde o bom e velho escambo.

Nenhum chorinho comove os feirantes de Mangabeira .

Fazem, literalmente, ouvido de mercador.

É saliva gasta à toa. Me sinto consultando informações a chinês na 25 de março, aquele caos comercial paulistano, cheio de gringo impaciente e pouco simpático.

Aqui derivo apenas pra frisar que minha questão restrita a negócios com os chineses supracitados, por certo, trata-se de choque cultural. Enquanto não me afino com a ranzinzice, de certa forma aspereza deles, certamente, eles também detestam o jeitinho brasileiro, de querer tornar maleável as coisas, que me valho nas tratativas de preço. A eles pode ser entendido como quebra de normas de comércio, vai saber.

Voltando a feira…

O estopim veio dia desses quando ao pesar a galinha o vendedor se vira pra mim:

-Trinta e quatro e oitenta. Trinta e cinco reais.

Aí o caldo de cana entornou de vez.

Não me abatem centavos de uma verdura, mas vai meter 20 cents a mais na minha cloaca??

Aí a esculhambação ficou séria.

Quase retomo o movimento: “não é só por 20 centavos”, mas aí lembrei a merda que deu aquela pataquada e deixei pra lá…

Adeus, Mangabeira.

Quem não chora, não mama!

Fonte: Marcos Thomaz
Créditos: Polêmica Paraíba