raiva ou medo

O leão não é tão feroz quanto tenta aparentar - Por Rui Leitão

"Não sei se é falta de inteligência ou carência de equilíbrio emocional para se contrapor às adversidades. Talvez sejam as duas coisas"

O LEÃO NÃO É TÃO FEROZ QUANTO TENTA APARENTAR

É impressionante a capacidade que o atual presidente da república tem em abrir várias e fortes frentes de atrito simultâneas. Isso contraria, inclusive, o pensamento militar que orienta estabelecer campos de enfrentamento na conformidade do seu potencial bélico. Escolher vários adversários ao mesmo tempo é fortalecer o poderio dos que o combatem. Não adianta ficar atirando para todos os lados. Assim, se tornará alvo mais fácil da artilharia inimiga.

Não sei se é falta de inteligência ou carência de equilíbrio emocional para se contrapor às adversidades. Talvez sejam as duas coisas. Numa luta o comandante tem que saber montar estratégias, sem demonstrar o que está planejando. Ele não sabe fazer isso. É compulsivo na vontade de atacar, sem medir as consequências. O objetivo de querer impor medo não funciona. Já é tempo suficiente para perceber suas recorrentes bravatas. Há um ditado popular que diz: “cão que ladra, não morde”.

Numa situação de conflito é imprescindível que o condutor da tropa conheça a sua força para entrar na batalha com chances de vitória. Uma operação ofensiva mal planejada expõe arriscadamente seus soldados ao avanço dos atacantes. Ao que parece o ex-capitão não assimilou bem os ensinamentos a ele ministrados quando esteve servindo ao exército. Não foi um aluno aplicado. A calma e a precisão são fundamentais num campo de guerra. A afobação torna vulnerável o seu pelotão.

A tática da moderação contribui para a obtenção de bons resultados na contenda. Se o adversário vislumbra fragilidade nas provocações de guerra, sente-se encorajado a enfrenta-lo. Muito mais ainda quando seu exército tem pela frente vários flancos escolhidos pelo comandante. Se vêem perdidos porque ficam sem saber qual adversário deverá combater prioritariamente, uma vez que são muitos ao mesmo tempo. Vai faltar concentração para a ação em bloco. Um grupo disperso, combatendo em diversas frentes concomitantemente.

A voz de comando não pode se expressar pela demonstração de raiva ou de medo. Tem que se mostrar liderança que mereça confiança, fazendo com que seus liderados tenham absoluta convicção da orientação que recebe. A dubiedade de posições explicita a fragilidade no controle da situação. Quem entra numa batalha sem o cuidado de avaliar seus próprios limites, está fadado a ser derrotado. Iniciar o ataque, e fazê-lo como uma metralhadora giratória, não é uma estratégia sensata. Ameaças evidentes dirigidas aleatoriamente permitem aos adversários avaliar a fraqueza da sua competência de combate.

Ao abrir várias frentes de atrito, o comandante não consegue dominar todos os movimentos do outro lado, principalmente quando eles estão espalhados em diversos campos da batalha. Ao observar comportamentos assim não se chega a outra conclusão senão a de que o comandante blefa mais do que é possível fazer. O leão não é tão feroz quanto tenta aparentar.

Rui Leitão

Fonte: Rui Leitão
Créditos: Rui Leitão