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Sarah, A Treta, critica falta de apoio aos brasileiros no UFC

A lutadora goiana assinou com o UFC após se destacar no programa 'Contender Series Brasil'

A menos de um mês da estreia no UFC, Sarah Frota – conhecida como ‘A Treta’ – segue na contramão de grande parte dos brasileiros na organização e mantém a sua rotina de treinos no país. Revelada no ‘Contender Series Brasil’, a peso-palha (52 kg) atualmente reside em Balneário Camboriú, onde garante receber estímulo dos fãs no dia-a-dia. No entanto, ao comentar sobre a falta de apoio financeiro aos atletas de MMA no país, a goiana é incisiva: os lutadores tupiniquins têm que fazer “dez vezes mais” que os estrangeiros.

Sarah pisará pela primeira vez no octógono mais famoso do mundo no dia 2 de fevereiro, mas, ainda que faça parte da maior organização de MMA do planeta, a goiana ressalta que, praticamente, não há apoio do Governo ou de empresários a atletas ainda sem a carreira consolidada, como no caso dela. Deste modo, ‘A Treta’ contou, em entrevista exclusiva à reportagem da Ag. Fight, que uma das soluções que encontrou para amenizar a falta de incentivo, foi “esmolar” ajuda, o que, em sua opinião, seria “uma baita sacanagem”.

“Aqui em Balneário (Camboriú) recebo muito estímulo, ando de bike para tudo quanto é lado, a galera me para, conversa comigo… A única coisa triste aqui no Brasil é que não temos apoio. Somos atletas lutando fora e tudo, mas não aparece nenhum patrocínio, a gente tem que ficar esmolando para comer nos lugares. Acho isso uma baita sacanagem. Se o país desse um pouco mais de apoio aos atletas, teríamos mais atletas batendo de frente com os gringos. Temos que sempre fazer dez vezes mais que os outros. Acho que isso aí é escroto. Não precisava ser assim”, lamentou.

A lutadora goiana assinou com o UFC após se destacar no programa ‘Contender Series Brasil’ com a vitória por nocaute sobre Maiara Amanajás, em 2018. E seu primeiro desafio no Ultimate será contra a ex-campeã do Invicta ‘Livinha’ Souza, no evento programado para ocorrer em Fortaleza, no Centro de Formação Olímpica do Nordeste. Ciente das dificuldades no desafio de enfrentar a ex-detentora do cinturão da maior liga de MMA feminino, Sarah não se omite e garante que irá “tomar o lugar” da compatriota, afinal “missão dada, é missão cumprida”.

“Na verdade, eu sabia que o UFC ia me mandar uma pedreira. Porque todos nós que saímos do Contender recebemos lutas difíceis, eu até acho bom, porque eu não saí lá da minha cidade para ficar pegando menina fraca. Eu tenho talento, sou uma pessoa diferente, então missão dada, é missão cumprida. Na minha academia, a gente não escolhe luta. Então, eu prefiro até que seja uma menina dura mesmo, conhecida, que eu vou lá e tomo o lugar dela”, projetou.

“Acredito que, quando o evento te dá uma luta difícil, como contra uma atleta que é ex-campeã do Invicta e vem de vitória, como a ‘Livinha’, é porque eles já querem ver a que você veio. Então, acredito que o UFC me deu esse texto de fogo aí, apesar de a minha intenção não era lutar contra brasileira no Brasil, porque divide um pouco a torcida. Mas, já que é para lutar com uma brasileira, que seja uma casca-grossa, que me dê a oportunidade de mostrar para o mundo o meu nome. Porque agora é a hora do mundo me conhecer. Conhecer ‘A Treta'”, completou.

Aos 31 anos, Sarah está invicta na carreira profissional no MMA, com nove triunfos adquiridos antes de estrear no UFC. Já ‘Livinha’, quatro anos mais jovem, acumula, até então, 12 vitórias e apenas uma derrota em seu cartel nas artes marciais mistas. A atleta paulistana derrotou Alex Chambers em sua primeira luta pelo Ultimate, em setembro, e buscará, contra ‘A Treta’, alcançar uma sequência de sucessos na organização.

Fonte: UOL
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