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Brasileira pode ser a primeira mulher sul-americana a escalar a montanha mais perigosa do mundo

A cada quatro alpinistas que chegam ao topo do K2, um morre. 

A brasileira Karina Oliani pode ser a primeira mulher sul-americana a escalar a montanha mais perigosa do mundo. O K2 conta com 8.611 metros e é o segundo monte mais alto do planeta, perdendo apenas para o Everest. A combinação de perigosos fatores, como inclinação intensa, nevascas, paredões gigantescos, instabilidade climática e avalanches imprevisíveis, tornam a experiência emocionante e fatal. A cada quatro alpinistas que chegam ao topo do K2, um morre.

Até hoje, apenas cerca de 300 pessoas conseguiram escalar a montanha até seu pico. Com o objetivo de ampliar este dado, a brasileira Karina Oliani, 37 anos, inicia sua escalada rumo ao cume do K2. Se conseguir completar o percurso, ela será a primeira mulher sul-americana a conquistar o feito.

Para a preparação, Oliani contou com treinos de escalada e fortalecimento muscular, além de aprimorar a mente. “O melhor jeito de se preparar para uma montanha, além dos exercícios, é saber que você já é uma pessoa experiente. As experiências já vividas nesses locais nos mostram o quanto estamos prontos. Eu senti que estou pronta! Gostaria de ter ido ano passado, mas peguei a Doença de Lyme e acabei tendo que adiar a expedição em um ano”, conta.

Médica ativista e apaixonada por esportes radicais, Karina Oliani possui um histórico impressionante de conquistas. Ela já subiu o Everest duas vezes, conquistando o título de primeira mulher sul-americana a escalar a montanha mais alta do mundo por suas duas faces. Também desafiou e conquistou outros três dos sete maiores cumes dos continentes, o Kilimanjaro, o Aconcágua e o Elbrus. Além de atravessar um vulcão em atividade, caçar tornados e a Aurora Boreal, Oliani ainda tem em seu currículo os títulos de bicampeã brasileira de wakeboard e snowboard.

Serão, em média, 43 dias para completar o percurso de subida e descida, que contará com diversas etapas. “Basicamente, nos primeiros 15 dias vou fazer um trekking e a aproximação entre Islamabad, que é a capital do Paquistão, e Concórdia, onde fica o acampamento base do K2. Chegando lá, descanso, me aclimato (processo de retomada do oxigênio por causa da altitude e da temperatura corporal necessária devido às temperaturas que chegam a quase 50 graus celsius negativos) e faço meu puja – a cerimônia de pedir permissão para começar a escalada na montanha. Após essa etapa, começo a fazer um ou dois ciclos de aclimatação de tempos em tempos. O terceiro ciclo será o que chamamos de ataque ao cume, ou seja, a subida final para alcançar o topo, que está prevista para iniciar no dia 18 de julho”, explica. A programação pode ser alterada devido às condições do tempo.

Sobre o fato de poucas mulheres já terem alcançado o ponto final do K2, Oliani afirma não se assustar. “Essa coisa de gênero não funciona pra mim. Existem homens e mulheres com muita técnica e força e todos têm as mesmas chances de chegar ao topo”, completa. A primeira mulher a conquistar o K2 foi a polonesa Wanda Rutkiewicz, em 1986. Agora, em 2019, Karina Oliani também quer ter seu nome marcado, mais uma vez, na história.

A equipe da expedição conta, ainda, com mais duas pessoas: um Sherpa, habitante das montanhas acostumado ao clima e às condições locais, que atua como auxiliar de atletas, e um segundo montanhista, Maximo Kausch, amigo de Karina e recordista mundial de ascensão de montanhas acima de seis mil metros.

A expedição de Karina Oliani ao K2 conta com patrocínio de Volvo Cars, Pulsar Invest, John John, Outback Steakhouse e Gillette Venus, além do apoio de Canon, GoPro HERO7 Black, Saved by Spot, Puma e The North Face.

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