Cadê a tabela dos salários?

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Rubens Nóbrega

Três ou quatro secretários de Estado – Livânia Farias (Administração), Aracilba Rocha (Fazenda), Luzemar Martins (Controladoria Geral) e talvez Gustavo Nogueira (Planejamento) – devem saber com alguma precisão quanto essa ou aquela categoria de servidor vai receber a partir de 1º de janeiro de 2012, graças a esse ‘aumentão’ anunciado anteontem pelo governador Ricardo Coutinho.

Fora eles e uma ‘meia dúzia de três ou quatro’ dirigentes sindicais, difícil encontrar mais alguém, principalmente entre os próprios beneficiários do ‘reajuste’, que saiba com segurança o quanto ou o quê deve mudar no contracheque e na conta corrente quando fevereiro de 2012 chegar. Mas todas as dúvidas o governo bem poderia tirar se adotasse uma providência simples: publicar uma tabela com os novos salários.

Se não publicar é porque ainda não sabe direito ou não fechou o quantum que vai caber a cada um, aumentando a minha desconfiança de que o anúncio da última segunda foi antecipado na base do ‘qualquer jeito’ para o soberano melhorar sua imagem, dar uma aliviada na barra do governo e na insatisfação do funcionalismo.

Resta saber se funcionou. Mas isso a gente só deve saber mesmo quando o pessoal for ao banco receber janeiro. Afinal, por enquanto o governador e seus secretários só sabem com absoluta certeza que eles, sim, vão receber o aumento de vergonha que ganharam assim que assumiram o poder em janeiro deste ano.

Assim, a única tabela salarial conhecida no Estado é a da cúpula do Poder Executivo, com os seguintes valores: o governador passa de R$ 18.371,50 para R$ 23.500,82; o vice, de R$ 14.697,20 para R$ 18.800,66; os secretários de Estado, de R$ 13.778,62 para R$ 17.625,61 e os chamados secretários executivos (antigos adjuntos), de R$ 7.830,00 para R$ 10.016,14.

Não deixo esquecer que o pagamento dos novos valores está congelado desde janeiro, para mostrar austeridade e parcimônia diante da crise. Significa também que a galera do poder que pode vai receber grana boa de atrasado, se já não recebeu. E por essas e muitas outras desse governo, não canso de repetir, com justificada admiração:
– Isso é que é tabela! Isso é que é aumento! O resto é conversa.


“Eita governo medíocre!”

A revolta que dá título a esse tópico é de um professor de Campina Grande, indignado porque o governo Ricardo Coutinho teria pago o décimo terceiro do magistério estadual com subtração de R$ 250.

Encaminhei a denúncia às 16h43 da última sexta-feira (16) ao governador Ricardo Coutinho, ao seu secretário de Comunicação Social, jornalista Nonato Bandeira, e à Assessoria de Imprensa da Secretaria da Educação do Estado.

Como mandei o i-meio no meio da tarde de uma sexta, resolvi aguardar resposta até a segunda (19). Mas, pra variar, nem anteontem, nem ontem… Nada de retorno, muito menos resposta do governador ou de seus auxiliares. Resta, então…

O denunciante é o professor Sizenando Leal Cruz, das Escolas Estaduais Nenzinha Cunha Lima e São Sebastião, de Campina. Além da ‘garfada’ no 13º, ele acusa o governo de Sua Majestade de prejudicar a categoria com uma “política meritocrática”.

Significa substituir salário por bolsas e prêmios em função de desempenho, o que naturalmente exclui os aposentados, que por óbvio não têm direito a tal bolsa avaliação que corresponde a míseros R$ 250.

Sizenando, que também milita no movimento sindical dos professores, lembra ainda que o Ricardus I vem gastando muito menos de 60% das receitas do Fundeb (Fundo de Desenvolvimento da Educação de Base) repassadas pelo governo federal.

Essa irregularidade, aliás, já foi detectada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) e sobre ela há mais de um mês também pedi explicações ao governo estadual, que mais uma vez não me deu retorno, muito menos resposta.

Diante desses atos e atitudes do todo poderoso, muitos professores perguntam o que fizeram para merecer esse tratamento do monarca e a razão de tamanho desprezo do governante para com a educação pública sob responsabilidade do Estado.

Daí dá pra entender quando um Sizenando não se contém e ‘explode’ fazendo as seguintes e procedentes observações:

– Eita governo medíocre! Bem que quando era candidato disse que faria um governo de 40 anos em 4 mas, em menos de um ano, já superou mais de 40 anos de ruindade, de perseguição, de maldade e de falta de compromisso.
Fiat: como deveria ser

O engenheiro agrônomo Newton Coelho Marinho ficou surpreso ao ler semana passada em jornais locais “matéria elogiosa ao governador por ir a Brasília mendigar da Fiat uma cota de empregos para paraibanos fronteiriços a Pernambuco, como se nossa gente fosse estigmatizada por deficiências físicas ou outros preconceitos”.

Em mensagem dirigida ao colunista no final de semana, o Doutor Newton disse que ao invés dos elogios fáceis a matéria poderia ter sido outra, de um jeito que ele preparou com muita competência e que trago amanhã ao conhecimento dos leitores.

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