Chioro ainda deve ser chamado pela presidente para conversa particular

Na avaliação de pessoas próximas a Chioro, a forma da demissão, por telefone, foi uma resposta às declarações recentes dele sobre a situação da Saúde

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Onze anos depois, a história se repete. E a presidente Dilma Rousseff copiou o modelo de Luiz Inácio Lula da Silva. Assim como o antecessor despachou Cristovam Buarque do Ministério da Educação, a petista demitiu o ministro da Saúde, Arthur Chioro, por telefone. A justificativa: dar mais espaço para o PMDB no governo. De acordo com interlocutores do ministro, a ligação foi breve e aconteceu pela manhã. A presidente ficou de conversar pessoalmente com Chioro para tratar do assunto. Não há ainda uma definição de que dia ele deixará a pasta, mas a expectativa é que o novo desenho da Esplanada seja anunciado até amanhã.

No último dia 24, os dois estiveram reunidos no Palácio da Alvorada para tratar da reforma ministerial. Três dias antes, Chioro dava sua saída como certa, após reunião com o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, em que foi comunicado sobre a necessidade de deixar o cargo. Desde então, ele tem avisado a servidores próximos sobre seu afastamento. Dentro do ministério, há um descontentamento com a troca de comando e um receio de reflexos nos cargos de segundo escalão. A gestão do petista tem sido bem avaliada por especialistas da área devido ao seu comprometimento e postura técnica na condução da pasta. O ministro participou da gestão da pasta entre 2003 e 2005 como diretor do Departamento de Atenção Especializada. Neste ano, ele se destacou na defesa da recriação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), proposta pelo governo.

Na avaliação de pessoas próximas a Chioro, a forma da demissão foi uma resposta às declarações recentes dele sobre a situação da Saúde. Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, publicada na segunda-feira, o ministro afirmou que quem assumir seu cargo enfrentará uma situação orçamentária difícil. De acordo com ele, os recursos reservados para a área de média e alta complexidade são suficientes para cobrir as despesas apenas até este mês. Em nota, o Ministério da Saúde informou que o telefonema da presidente com Chioro foi sobre a reforma ministerial.

Demissão pelo celular
Não é a primeira vez que um presidente demite um ministro por telefone durante a gestão petista. Em janeiro de 2004, o então ministro da Educação, Cristovam Buarque (foto), foi exonerado da mesma forma pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista ao Correio em julho passado, o atual senador do PDT pelo Distrito Federal contou detalhes do episódio. “Um dia antes da viagem para Portugal e Nova Déli, na Índia, na comitiva presidencial, participei de uma reunião sobre cotas. E acho que foi ali que o Lula decidiu me demitir (…) Ele disse: ‘Em vez de cota, não seria melhor ter uma boa escola para todos?’. Olhando bem nos olhos dele, eu disse: ‘Mas isso vai levar uns 20 anos e se a gente estivesse fazendo o dever de casa, presidente. E não estamos. Lamento dizer’. Senti que ele não gostou. Ele me fuzilou com os olhos”, contou.