NOSSA MIOPÍA: “Dilma mentiu na eleição para se reeleger”, diz a oposição. Nem por isso pode-se arrancá-la de qualquer jeito Por Laerte Cerqueira

“Dilma mentiu na eleição para se reeleger”, diz a oposição. Nem por isso pode-se arrancá-la de qualquer jeito. Se fosse fácil era um rosário de políticos mentirosos sendo destituídos. Quantos prometeram, mentiram? Encontre-se outra maneira de “derrubar”. O governo fez uma lambança na economia no primeiro mandato. Foi um desastre, mas, infelizmente ou felizmente, não é como mudar de técnico de futebol.

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Nossa miopia Por Laerte Cerqueira

do Jornal da Paraíba

Apesar das manifestações de hoje, que devem levar milhões de pessoas às ruas de todo o país, a semana não deve começar tão quente, como vem acontecendo ultimamente. A não ser que algo muito extraordinário ocorra. A ocupação nas ruas vai focar no Fora Dilma, Fora Lula, Fora PT. Muito pouco, um olhar míope. Talvez todos eles sejam obrigados a “pegar o beco” mais cedo ou mais tarde, mas apontar a “arma” só para eles é um desperdício. A “derrocada” desses personagens não resolve. Não temos salvador.
De fato é bom que a população se manifeste e exponha seu descontentamento. Deve apenas evitar o ódio cego. Isso é ruim. Os supostos algozes do país já são alvo da Operação Lava Jato, que faz uma faxina inteira na política brasileira. A quebra dessa ordem agora, por simples descontentamento ou impopularidade, não é saudável. Tudo bem que a crise ética, misturada com a economia e política causa essa confusão, mas é preciso separar as coisas. Aliás, se a economia tivesse em bons ventos, a maioria, inclusive quem vai se manifestar hoje, não estaria tão preocupada com a corrupção. O período do mensalão nos mostrou isso.
“Dilma mentiu na eleição para se reeleger”, diz a oposição. Nem por isso pode-se arrancá-la de qualquer jeito. Se fosse fácil era um rosário de políticos mentirosos sendo destituídos. Quantos prometeram, mentiram? Encontre-se outra maneira de “derrubar”. O governo fez uma lambança na economia no primeiro mandato. Foi um desastre, mas, infelizmente ou felizmente, não é como mudar de técnico de futebol. Há, sim, indícios de uma relação danosa entre o governo, o financiamento de campanha e a corrupção na Petrobras. Mas enquanto as instituições responsáveis pela investigação, comprovação e punição não concluírem o trabalho, só nos resta cobrar rapidez.
Se colocarmos os óculos, enxergaremos que a miopia embaça. Poderemos ver que é necessário cobrar também dos deputados e senadores compromisso com o ajuste. Afinal, medidas provisórias, que reduziram impostos de produtos e estimularam o consumo, maquiando um crescimento, foram aprovadas por eles, por exemplo. Talvez vamos ver de maneira nítida que a Reforma Política, que está sendo feita, mantém os canais que levam ao mesmo “modelo” de corrupção que perseguimos agora.
Se resolvermos o problema da miopia, vamos cobrar dos parlamentares e do governo redução de salários, fim de benefícios sem justificativa. A redução dos Ministérios e da máquina. Também iríamos às ruas para impedir que o salário dos ministros do STF chegasse aos R$ 40 mil, gerando aumentos em cadeia nos estados e municípios.
Há muito mais motivos para se manifestar, como exigir que sejam colocados em pauta os projetos do MPF, que fecham o cerco contra corruptos, tornando o crime hediondo, apertando os canais por onde passam os esquemas. Os projetos estão lá, no Parlamento, mas desconfiados que não sejam votados rapidamente, os procuradores pediram ajuda da sociedade. Querem mais de 1,5 milhão de assinaturas para garantir que não serão engavetados. Temos muitos motivos para ir às ruas, que não se resume a duas palavras. Um verbo no imperativo e um substantivo. É fácil de falar, reproduzir e minimiza muitos os nossos problemas. Mas impede que enxerguemos e enfrentemos problemas mais profundos.
Catanhêde
O cenário político nacional será debatido pela jornalista Eliane Catanhêde durante participação na Convenção das Unimeds e Unicreds das regiões Norte e Nordeste.
Confirmados
A convenção será de 02 a 04 de setembro, no Hotel Tambaú. Além de Eliane, já estão confirmados nomes como Augusto Kury, Leila Navarro e César Souza.
Ataque

Para evitar ficar na defensiva, o deputado federal Veneziano Vital (PMDB) resolveu ir às ruas. Tem caminhado e conversado com eleitores. A CPI do Tesoureiro fez reacender no parlamentar a postura do Executivo. Na propaganda obrigatória, veiculada na TV, Vené fala como pré-candidato. A maior parte do tempo é usada para lembrar a atuação dele quando administrava a cidade.
Rede
Os simpatizantes com a formação do partido Rede Sustentabilidade vão realizar encontro hoje numa reunião, às 9h, no Museu do Índio, no Centro de JP.

Assumiu
O deputado federal Manoel Jr. (PMDB) assumiu a presidência da comissão mista que vai analisar a MP que autoriza a Chesf a integrar o Fundo de Energia do NE.

Investimento
Um dos objetivos da medida é conseguir recursos para empreendimentos de energia na região. Segundo o texto, 50% do fundo deve se transformar em investimentos no NE.