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Sede das Olimpíadas em 2020, Japão quer tirar pornografia das bancas

É raro ver revistas pornográficas exibidas sem restrições em lojas nas grandes cidades do mundo. Mas elas estão por toda parte em Tóquio.

Com o aumento do número de turistas estrangeiros e já visando os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2020, vem aumentando o número de pedidos por parte de órgãos governamentais para a retirada de publicações pornô das lojas de conveniência.

homem passa em frente a dvds eróticos
Propaganda de DVDs de animação pornográfica, em banca de Tóquio (Japão). – Toru Yamanaka/AFP

Em janeiro, uma rede com mais de 2.200 lojas pelo país anunciou ter parado com as vendas de pornografia. A empresa declarou que a medida visa proteger os jovens de materiais sexualmente explícitos e evitar o constrangimento de clientes, que muitas vezes se sentiam relutantes de entrar nas vendas com crianças.

Algumas autoridades sugeriram que as lojas envolvessem o material em plástico, para ocultar as capas. Mas as empresas alegam que a prática seria trabalhosa demais e a indústria editorial se opõe à medida citando liberdade de expressão.

Assim como no resto do mundo, as vendas de publicações impressas estão em declínio frente ao crescimento das versões online –e isso inclui o conteúdo adulto. Mas a demanda por revistas pornográficas permanece forte entre certos grupos, por exemplo o de idosos, que não estão familiarizados com a internet.

CASAMENTO

As festas de encontros amorosos arranjados vêm ganhando destaque na mídia japonesa. Comuns no passado, elas agora chamam atenção pela presença dos pais dos pretendentes, que passaram a frequentar os eventos para tentar evitar que os filhos façam parte do crescente segmento dos solteiros.

Os pais capricham na descrição e nas fotografias de suas proles, analisam cuidadosamente cada ficha dos pretendentes e conversam entre si, na esperança de encontrar o par perfeito. Se os dois lados concordarem, podem trocar detalhes de contato e levar os perfis para mostrar aos filhos. Só então, se houver consentimento, o casal em potencial pode começar a namorar.

 

São várias as empresas que organizam esse tipo de festa em Tóquio. Uma delas, a Living Marriage, chega a organizar de três a quatro encontros por mês, atraindo cerca de 60 pais por evento.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas de População e Segurança Social, no final da década de 1930, cerca de 70% dos casamentos eram arranjados. A cifra caiu para abaixo dos 50%, em meados dos anos 1960, chegando a 5,5% em 2014.

De 2000 a 2015, a proporção de pessoas que nunca se casaram até os 50 anos subiu de 12,6% para 23,4%, entre os homens, e de 5,8% para 14%, entre as mulheres.

Ainda assim, as pessoas não parecem estar perdendo interesse pelo casamento. De acordo com outra pesquisa do mesmo instituto, em 2015, quase 90% dos homens e mulheres com idade entre 18 e 34 anos manifestaram o desejo de se casar um dia.

A LUTA FEMINISTA

O Japão presenciou, em 2017, um momento simbólico para as mulheres do país, quando Yuriko Koike (atual governadora de Tóquio) teve seu nome considerado para ocupar o posto de primeira-ministra.

Como em todo o mundo, as japonesas ganham menos e ocupam cargos inferiores quando comparadas aos homens. O governo de Shinzo Abe vem tentando –até agora sem êxito– implantar uma política inclusiva: ele quer mais mulheres em cargos importantes para mostrar ao mundo um Japão mais igualitário durante as Olimpíadas.

Esse conflito social é um dos pontos abordados no livro “Rethinking Japanese Feminisms” (repensando os feminismos japoneses) (University of Hawaii Press), lançado recentemente.

A obra é uma coleção de ensaios curtos escritos por 15 acadêmicos que navegam por diversas questões de gênero no Japão.

A pesquisadora norte-americana Nancy Stalker, por exemplo, lembra que as revoluções de gênero ocorreram de modo sempre sutil na sociedade japonesa, como a entrada feminina, no século 20, no mundo do ikebana –arte tradicional de arranjo floral que costumava ser um domínio principalmente masculino.

Fonte: Folha
Créditos: Folha