Avaliação

Gabriel Fallen faz avaliação do atual momento do cenário nacional de LOL

Desde que saiu do Brasil, Gabriel "FalleN" Toledo tem chamado atenção não só dos fãs ardorosos para o cenário competitivo de Counter-Strike.

Desde que saiu do Brasil, Gabriel “FalleN” Toledo tem chamado atenção não só dos fãs ardorosos para o cenário competitivo de Counter-Strike. Ao lado dos seus companheiros da SK Gaming, suas atuações ao redor do mundo atraem olhares que buscam entender como os brasileiros conseguiram chegar ao topo do mundo.

“Conseguimos chamar a atenção dos brasileiros nos eSports e isso é muito bacana”, disse o Verdadeiro em entrevista para o ESPN eSports. Nesse exato momento, FalleN e seus companheiros de equipe estão se preparando para a StarLadder i-League StarSeries Season 3, na Ucrânia, entre os dias 4 e 9 de abril.

Esse é um dos principais campeonatos presenciais do primeiro semestre e a SK foi convidada a participar. Em jogo, US$ 125 mil para o time que levantar a taça de um total de US$ 300 mil que será dividido para os participantes. Dessa vez podemos ver tanto a SK quanto a Immortals disputando a taça de igual para igual com os gringos e, quem sabe, até ver um confronto direto entre os times brasileiros.

Além de torcer para seu time, FalleN apoia muito a Immortals, que tem ex-companheiros de equipe. “Eu torço muito pela Immortals, primeiro pois eu joguei com eles no Brasil e segundo porque eu ajudei a levar esse time para fora e sabia que eles tinham muito potencial. Eu sabia que eles poderiam fazer o mesmo que eu e viver o sonho de jogar aqui fora competitivamente. E terceiro, a gente tá aqui fora e não tem família, só tem a gente. Se não criarmos vínculos e não tiver um passatempo, você acaba ficando na deprê. Tem a Camila e o Ricardo [dead, gerente da SK] que ajudam um pouco nisso, mas se não manter um ciclo de amizade você acaba pirando”, conta o jogador.

Quando FalleN, Fernando “fer” Alvarenga, Lucas “steel” Lopes, Caio “zqk” Fonseca e Ricardo “boltz” Prass chegaram na IEM Katowice de 2015, poucos imaginavam que o time conseguiria se tornar “legends”, um dos oito melhores times do mundo, mas foi exatamente isso o que aconteceu. Esse foi o primeiro passo para o êxodo dos talentos brasileiros para jogar e representar nossa pátria no exterior.

“Acho muito legal os brasileiros saindo, mas pelo lado negativo isso significa que lá dentro, no nosso país, a coisa não está legal. Mas faz parte, tudo no Brasil demora um pouquinho mais para chegar, mas se continuarmos trabalhando vai ter a oportunidade de todo mundo voltar para lá e fazer um cenário bem forte lá dentro”, diz FalleN. “Se a gente não tivesse saído do Brasil, não teríamos conseguido todo esse alcance. Por estar fora do Brasil, significa que não estamos lá dentro. Isso já enfraquece o cenário, mas é algo que não tem como resolver”, conta.

Mesmo que esteja melhorando aos poucos, o maior problema do cenário competitivo brasileiro ainda é manter um time com tantos nomes bons sem ter a perspectiva de disputar os grandes torneios no exterior. “Enquanto os grandes campeonatos aqui de fora não falarem ‘ó pessoal do Brasil, já vimos que vocês são bons pra caramba, tem um cenário legal. Faz o seguinte, volta todo mundo para casa e fica combinado já, duas vagas para o Brasil nesse campeonato, duas nesse outro’. Se um dia isso acontecer, a gente avalia e volta. Mas agora, se eu voltar pro Brasil, jogarei três ou quatro campeonatos no ano, vou perder visibilidade e talvez caia o valor do meu salário, minha valorização diminua. Enquanto isso estiver acontecendo, é difícil para alguém voltar”, explica.

Porém, com a chegada da Premier League e da própria Copa do Brasil – na qual FalleN é um dos apoiadores – estamos vendo que o cenário está se aquecendo e, quem sabe, isso permitirá que os brasileiros voltem ao país. “Acredito que num futuro próximo isso vá acontecer, só não acho que vai ser do 0 para o 100. Então acho que nosso cenário está no 15, conforme isso for chegando perto do 50 ou 60, talvez as grandes empresas deem esse pulo e os grandes campeonatos olhem para lá. Já escutei uma ou duas conversas sobre, mas nada avançado, então o que temos que fazer é fortalecer o trabalho feito no Brasil e isso está sendo feito”.

Não apenas a Premier League e a Copa do Brasil ajudam o cenário, mas torneios menores também são a chave para fomentar o cenário nacional. “A Gamers Club tem mais de 550 partidas rolando ao mesmo tempo. Eu falo isso aqui fora e o pessoal fala que é um absurdo, que isso às vezes não acontece na Europa toda”, conta.

 

Fonte: ESPN