Vídeo mostra movimentação de presos durante rebelião que matou 56

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Imagens obtidas pelo Jornal Nacional mostram a movimentação dos detentos três horas após o começo da rebelião no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj). No vídeo, é possível ver os presos passando por um buraco feito em um dos muros da unidade prisional. Mais de 50 pessoas morreram na rebelião ocorrida no Compaj no primeiro dia de 2017.

A imagem mostra ainda os detentos avançando por uma cerca. Um deles parece segurar uma arma. Depois, o grupo invade o pavilhão.

A empresa Umanizzare, que administra o presídio, disse que, por questões de segurança, prefere não identificar a localização exata da sala que aparece na imagem. No entanto, a empresa confirmou que a movimentação se deu numa abertura no muro que divide as unidades de regime fechado e de semiaberto – esta última, totalmente gerida pelo estado.

O titular da Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Seap), Pedro Florêncio, confirmou que as imagens são do presídio Anísio Jobim. “No dia da rebelião a gente pegou algumas armas e nesta sexta-feira, 6] foi arrecadada uma. Eu não sei ainda se só foi uma espingarda”, disse.

Ao JN, um agente penitenciário, que preferiu não mostrar o rosto, identificou os locais exatos por onde os presos se movimentaram. “Os internos do complexo semiaberto furaram o muro do fechado e passaram. Logo em seguida, cortaram uma grade e adentraram no Pavilhão 1”, explicou.

Um relatório de inteligência do dia 31 de dezembro – ao qual a GloboNews teve acesso e divulgado pelo Jornal Nacional – já alertava sobre a presença de armas no complexo e um possível plano de fuga em massa de presos do regime fechado.

Nesta sexta, policiais militares fizeram uma revista no presídio e encontraram caixas de som e vários objetos que poderiam ser usados como arma. À tarde, presos que foram transferidos para a Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa começaram um tumulto e pediram transferência para um pavilhão maior.

O repórter cinematográfico da GloboNews Henrique Lima flagrou o momento em que dois homens tentavam entrar na cadeia armados com faca durante a confusão.

Entenda o caso

O primeiro tumulto nas unidades prisionais do estado ocorreu no Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat), localizado no km 8 da BR-174 (Manaus-Boa Vista). Um total de 72 presos fugiu da unidade prisional na manhã de domingo (1º).

Horas mais tarde, por volta de 14h, detentos do Compaj iniciaram uma rebelião violenta na unidade, que resultou na morte de 56 presos. O massacre foi liderado por internos da facção Família do Norte (FDN).

A rebelião no Compaj durou aproximadamente 17h e acabou na manhã de segunda-feira (2). Após o fim do tumulto na unidade, o Ipat e o Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM) também registraram distúrbios.

No Instituto, internos fizeram um “batidão de grade”, enquanto no CDPM os internos alojados em um dos pavilhões tentaram fugir, mas foram impedidos pela Polícia Militar, que reforçou a segurança na unidade.

No fim da tarde, quatro presos da Unidade Prisional do Puraquequara (UPP), na Zona Leste de Manaus, foram mortos dentro do presídio. Segundo a SSP, não se tratou de uma rebelião, mas sim de uma ação direcionada a um grupo de presos.

Fonte: G1


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